Vice-presidente chinês salienta cooperação com os EUA
O vice-presidente chinês, Xi Jinping, ofereceu na quarta-feira uma maior cooperação com os EUA em questões de comércio e no trato com problemas como os da Coreia do Norte e Irã, mas alertou Washington a não se contrapor a Pequim com relação ao Tibet e a Taiwan.
"As relações sino-americanas estão em um novo ponto de início histórico", disse Xi, visto como futuro líder do país, a grupos empresariais dos EUA. Na véspera, ele se reuniu com o presidente Barack Obama e com outras autoridades em Washington.
Xi afirmou que a China e os EUA precisam se empenhar na criação de "um novo tipo de relação entre grandes potências no século 21", em "evitar mal entendidos e erros de avaliação", e "realmente respeitar os interesses centrais e as grandes preocupações de cada um".
A visita de Xi aos EUA nesta semana serve para ampliar a presença internacional do homem que deve ser alçado no final deste ano à chefia do Partido Comunista Chinês, para assumir em 2013 a Presidência da nação mais populosa do mundo, numa transição que costuma ocorrer uma vez por década.
Enquanto Xi continuava no país, Obama, fazendo campanha eleitoral em Milwaukee, atacou as práticas comerciais chinesas, e disse que não ficará de braços cruzados enquanto concorrentes dos EUA "não jogam conforme as regras".
"Orientei meu governo a criar a Unidade de Fiscalização Comercial com uma tarefa: investigar práticas comerciais injustas em países como a China", disse Obama numa fábrica.
Em seus compromissos oficiais, Xi fez alusão à polêmica envolvendo a política cambial chinesa. Muitos parlamentares dos EUA dizem que Pequim mantém sua moeda artificialmente desvalorizada para conseguir ampliar suas exportações, e que isso teria contribuído para que o déficit comercial dos EUA com a China alcançasse em 2011 o valor recorde de 295,5 bilhões de dólares.
Xi disse que reformas cambiais já adotadas por Pequim contribuíram para estimular as exportações norte-americanas para a China, que superaram os 100 bilhões de dólares em 2011, e que o superávit comercial chinês como um todo já teve uma redução significativa.
"A China se tornou o mercado que mais cresce para as exportações dos Estados Unidos", disse Xi. "O superávit comercial como proporção do PIB tem caído de mais de 7 por cento para 2 por cento, num nível internacionalmente reconhecido como razoável."
Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, admitiu na quarta-feira que a China está gradualmente permitindo a valorização do yuan, mas não no ritmo que Washington gostaria. "Gostaríamos que eles avançassem mais rapidamente", afirmou Geithner numa comissão parlamentar.
Num aceno às preocupações dos EUA, Xi disse que os dois países deveriam "usar mecanismos bilaterais e multilaterais para reforçar a coordenação entre China e Estados Unidos a respeito de focos conturbados, incluindo os fatos na península coreana e a questão nuclear do Irã".
Ao mesmo tempo, ele alertou os EUA a não apoiarem movimentos independentistas em Taiwan e no Tibet, tradicionais pontos de atrito entre os dois países.
"A China saúda os Estados Unidos por desempenharem um papel construtivo na promoção da paz, estabilidade e prosperidade na região da Ásia-Pacífico, e ao mesmo tempo esperamos que o lado dos EUA respeite verdadeiramente os interesses e preocupações dos países na região, inclusive a China."
(Reportagem adicional de Rachelle Younglai em Washington e Laura MacInnis em Milwaukee)
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