Vitória de Ahmadinejad provoca onda de violência no Irã
Oposição denuncia fraude; manifestantes entram em confronto com a polícia em Teerã.

Milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia em Teerã e outras cidades iranianas neste sábado depois que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi declarado oficialmente vencedor das eleições de sexta-feira, conquistando mais um mandato de quatro anos.
Segundo testemunhas, esta é a pior onda de violência na capital iraniana em mais de uma década. Manifestantes jogaram pedras contra a polícia e incendiaram carros e motocicletas.
O correspondente da BBC em Teerã, John Simpson, afirma ter visto forças de segurança chutando e batendo nos manifestantes e quatro motocicletas serem incendiadas nos arredores do Ministério do Interior.
A polícia de choque usou bastões e gás lacrimogêneo contra partidários do principal candidato de oposição, o reformista Mir-Hossein Mousavi, que denunciou fraude na votação e pede recontagem de votos.
De acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Ministério do Interior do Irã, Ahmadinejad obteve 62,6% dos votos, contra 33,8% de Mousavi. O conservador Mohsen Rezai ficou com 1,7%, e o reformista Mehdi Karroubi, com 0,9%.
Conforme outro correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, os resultados foram recebidos com grande surpresa e profundo ceticismo por muitos iranianos.
"Grande vitória"
Neste sábado, em um discurso transmitido pela televisão, Ahmadinejad agradeceu os eleitores por terem dado a ele uma "grande vitória" e disse que as eleições foram "completamente livres".
Ahmadinejad também acusou a imprensa estrangeira e "elementos dentro do Irã" de orquestrarem uma campanha de "guerra psicológica" contra o povo iraniano durante a eleição.
"Estava claro o que a maioria do povo queria", disse. Segundo Ahmadinejad, o povo iraniano quer justiça, desenvolvimento, o fim da corrupção e que o nome de seu país seja respeitado.
O Comitê para Proteger o Voto do Povo, criado pelos três candidatos de oposição, disse que não aceitará os resultados, alegando fraude.
Mousavi disse que houve falta de cédulas e que milhões de eleitores não puderam votar. Disse ainda que os fiscais de seu partido não tiveram acesso a todos os locais de votação.
"O resultado do comportamento de algumas autoridades vai colocar em risco os pilares da República Islâmica e estabelecer a tirania", disse Mousavi.
O grupo pediu ao Conselho dos Guardiães do Irã - um poderoso órgão controlado por clérigos conservadores - que anule os resultados e convoque novas eleições.
Calma
Mais cedo, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, elogiou o alto comparecimento na votação, de 85% dos eleitores, e pediu calma.
"Inimigos podem querer estragar a doçura deste evento com algum tipo de provocação mal-intencionada", disse.
O ministro do Interior, Sadeq Mahsouli, disse que qualquer manifestação precisa de permissão oficial, e nenhum tipo de permissão foi dado até agora.
Um jornal de oposição foi fechado e o site da BBC também parece ter sido bloqueado pelo governo iraniano.
O analista de política iraniana da BBC, Sadeq Saba, disse que o resultado da eleição significa que a esperança de uma reforma pacífica no país deverá ser enterrada por um longo período.
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