Voltei para dialogar, diz Zelaya na embaixada brasileira
Líder deposto pede que hondurenhos venha para a capital do país e que Exército não intervenha
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya disse nesta segunda-feira, 21, que voltou ao país para dialogar e desenhar um caminho de retorno à paz e à tranquilidade. Zelaya está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa.

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O líder deposto pediu ainda "que o povo hondurenho venha para a capital para protegê-lo, mas que o façam pacificamente" e que o Exército não intervenha para expulsá-lo. Os simpatizantes de Zelaya deixaram os arredores do escritório das Nações Unidas em Tegucigalpa, onde acreditava-se que o presidente estava, rumo à embaixada do Brasil.
"Acreditamos que o diálogo é o melhor caminho e esperamos que as forças armadas não usem suas armas", assinalou. Zelaya acrescentou que conta com o apoio da comunidade internacional pra iniciar o processo imediatamente.
Fora da embaixada do Brasil em Tegucigalpa, milhares de partidários de Zelaya se amontoavam na esperança de ver seu líder, gritando as palavras "Si, se pudo", uma versão latina do 'Yes, we can' (Sim, nós podemos), usada por Barack Obama em sua campanha presidencial nos EUA.
"Sou um homem pacífico, dialogo, pratico a não violência", afirmou Zelaya em suas primeiras declarações à imprensa na embaixada brasileira. "Vim para dialogar de frente", acrescentou o presidente deposto.
Sobre um eventual convite para conversar do Governo de Roberto Micheletti, designado pelo Parlamento como presidente do país depois de sua derrubada em 28 de junho, Zelaya ironizou: "Não espero essa
gentileza em tão pouco tempo".
Em relação às ordens de prisão contra ele, Zelaya disse "não tenho medo da Justiça. Se há processos a responder, eu respondo". Zelaya é acusado por crimes políticos relacionados à consulta popular que conduziria em 28 de junho sobre a instalação de uma Assembleia Constituinte. Zelaya também tem ordens de captura por falsificação de documentos, fraude e abuso de autoridade pela emissão de um decreto - ilegal, segundo o Ministério Público - para contratos de publicidade por 27 milhões de lempiras (US$ 1,4 milhão).
Em declarações à cadeia CNN, Zelaya disse que durante 15 horas utilizou vários transportes que o levaram por várias regiões do país, mas evitou dar detalhes, dizendo que recebeu ajuda de diversas pessoas que poderiam ser prejudicadas caso fossem identificadas.
Zelaya agradeceu ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e ao chanceler Celso Amorim, por permitirem que ele realize suas primeiras atividades na embaixada brasileira em Tegucigalpa, evitando mencionar que tipo específico de apoio recebeu da comunidade internacional para voltar ao país.
"Senti ao chegar, como alguém que chega ao céu, feliz", disse Zelaya ao descrever sua sensação ao pisar em solo hondurenho.
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