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Yoani Sánchez chega ao Brasil

Blogueira cubana desembarcou em Recife na madrugada desta segunda-feira; na quinta-feira, ela participa do debate 'Conversa com Yoani', na sede do 'Estado', na zona norte de São Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 6h 18

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Ativista foi recebida por amigos e manifestantes que a acusavam de 'trair o movimento' - Roberto Pereira/Estadão
Roberto Pereira/Estadão
Ativista foi recebida por amigos e manifestantes que a acusavam de 'trair o movimento'

A blogueira cubana e colunista do 'Estado' Yoani Sánchez já está no Brasil. Ela desembarcou no Aeroporto Internacional dos Guararapes, em Recife, por volta de 0h30 desta segunda-feira, 18. A ativista foi recebida por amigos e, ainda no saguão do aeroporto, manifestantes carregavam faixas, na qual acusavam Yoani de 'trair o movimento, receber dinheiro americano para ser revolucionária, além de ter uma conta milionária'. 

Yoani Sánchez saiu de Havana neste domingo, 17, em direção ao Brasil. O País é a primeira escala de um giro que a opositora do regime castrista - uma das mais famosas mundo afora - pretende empreender por mais de dez nações, das Américas e da Europa, nos próximos meses. A expectativa é que a dissidente chegue em São Paulo na noite da quarta-feira.

“Levo comigo uma mensagem de esperança. Não sou ingênua, me dou conta dos problemas, mas creio no futuro”, afirmou Yoani a repórteres no Aeroporto Internacional José Martí, pouco antes de embarcar para o Recife, fazendo uma escala na Cidade do Panamá. “Isso será como 'A volta ao mundo em 80 dias'.”

Vestida com uma saia azul-marinho e uma blusa larga branca, a blogueira de 37 anos despediu-se de seu filho adolescente, Teo, e de seu marido, o também dissidente Reinaldo Escobar, antes de passar pela checagem para deixar seu país. Aproximou-se sorrindo da cabine do agente de imigração, que, timidamente, também exibia um sorriso.

“Meu nome não soou nos alto-falantes, não me levaram a um quarto para despir-me ou “ler a cartilha para mim”. Tudo está saindo bem. (Foi) muito calorosa a reação dos (demais) passageiros comigo. Há abraços, fotos em conjunto... já sinto o cheiro da liberdade”, tuitou Yoani momentos depois. No microblog, a ativista mostrou-se ainda mais deslumbrada com as experiências que a aguardavam: “Me disseram que o aeroporto do Panamá, onde farei escala, tem uma zona wi-fi (internet sem fio)... não posso acreditar!”.

Mas Yoani não era apenas otimismo. “Minha preocupação é com os que ficam. Temo que a penalização à diferença continue”, tuitou, afirmando que tem receio ainda de que “os atos de repúdio se mantenham”.

“Temo que as detenções arbitrárias continuem como uma ferramenta de repressão. Temo que o grito se mantenha como política de Estado. Temo que neste tempo minha ilha não avance nenhum passo no respeito à diversidade ideológica, que o extremismo político permaneça.”

Em seus últimos tuítes antes de o avião decolar, porém, a blogueira manifestou certo alento: “No entanto, tenho muitas esperanças. Tenho esperanças de que a pequena voz que a cidadania alcançou seja escutada mais forte, se faça mais firme e clara. Tenho esperanças de que o absurdo não pode durar muito mais”.

Recife. Na capital pernambucana, Yoani seria recebida no início da madrugada de segunda pelo cineasta Dado Galvão e pelo blogueiro Rafael Velame, organizadores da “vaquinha” que possibilitou a vinda da cubana para o Nordeste brasileiro. Às 19 horas de segunda, deverá ser exibido o documentário Conexão Cuba Honduras, em Feira de Santana, Bahia.

Na quinta-feira, às 10 horas, a cubana participa do debate “Conversa com Yoani”, na sede do Estado, na zona norte de São Paulo. No mesmo dia, encontra-se com blogueiros na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no fim da tarde, e logo depois lança a nova edição de seu livro De Cuba, com Carinho, publicado pela Editora Contexto, e concede uma sessão de autógrafos.






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