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A luta do ‘Estado’ contra a censura

Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60

21 de junho de 2008 | 17h 52

A história da resistência dos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos do regime militar, é um dos principais temas da exposição 1968 – 40 Anos Utópicos e Rebeldes – A Geração Que Disse Não, aberta anteontem na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. A convite do Ministério da Cultura e da Secretaria Especial de Direitos Humanos, os dois jornais reuniram documentos, fotos, vídeos, painéis e coleções para narrar o que tem sido considerada por políticos e historiadores uma das mais belas páginas da história da luta pela liberdade de imprensa no País.

 

Veja também:

Especial: Nas páginas do "Estado", a luta contra a censura

 

A mostra, intitulada 1968 – Mordaça no Estadão, é a mais ampla já organizada sobre o tema. Permite ao visitante compreender desde os métodos de ação dos censores à estratégia adotada pela direção dos jornais para indicar ao leitor que o material de reportagem e opinião estava sob censura.

 

Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade democrática, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias.

 

Logo os leitores perceberam que algo estava errado; e com o passar do tempo o poema se transformou em sinônimo de censura e também "símbolo de resistência" – conforme expressão da historiadora Maria Aparecida de Aquino, na tese Censura, Imprensa, Estado Autoritário.

 

Na mostra estará exposto pela primeira vez o conjunto das páginas censuradas. São três grossos volumes, com quase mil páginas. "Por meio de monitores será possível acessar os textos e cotejar as páginas produzidas pela redação com as que foram impressas, após a tesoura do censor", diz o historiador José Alfredo Vidigal Pontes, curador da mostra.




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