'A Marina é de direita', afirma pré-candidado do PSOL
Plínio de Arruda Sampaio é o favorito na disputa interna do partido para concorrer à Presidência da República
Ex-deputado, Plínio de Arruda Sampaio explica que deixou o PT para ir "mais à esquerda"
SÃO PAULO - Militantes do PSOL se reuniram na segunda-feira, dia 1º, em São Paulo, para lançar um manifesto de apoio à pré-candidatura à Presidência da república do economista e ex-deputado federal pelo Plínio de Arruda Sampaio (SP), que disputa a indicação com o presidente do diretório de Goiás, Martiniano Cavalcanti, e o também ex-deputado João Batista Araújo Babá (PA).
Um dos fundadores do PT, Plínio deixou a sigla em 2005, "para ir mais para a esquerda", e foi um dos líderes do PSOL que mais resistiram às tentativas de aliança com o PV da senadora Marina Silva - que também abandonou o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao estadao.com.br nesta terça-feira, 2, Plínio explicou sua oposição como decorrente do fato de o PSOL ser um partido em formação. "Não convém a um partido como esse, na segunda eleição que disputa, já fazer uma grande aliança com todo mundo."
E atacou Marina, que, em sua opinião, é "de direita". "Ela pode ser uma direita moderada, uma direita que vai mais para o centro, isso tudo você pode admitir, mas ela não está no campo popular, ela não está no campo da classe trabalhadora, ela está no campo da ordem estabelecida, no campo portanto do PT, do PMDB, do PSDB, e ela está no partido que é governo em todos os Estados, inclusive aqui em São Paulo."
Embora seja o preferido de 35 dos 61 integrantes do diretório nacional e de seis das nove tendências internas do partido, o candidato que o PSOL irá lançar na disputa só será definido em uma conferência eleitoral que acontece nos dias 10 e 11 de abril, no Rio de Janeiro.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
O PSOL vai decidir qual seu candidato na Conferência Eleitoral do partido, que acontece em abril. No entanto, o senhor já conta com apoio de seis das nove tendências internas do partido. Qual sua expectativa? Já se considera candidato?
Como dizia o Vicente de Matheus, o jogo só termina quando acaba, de modo que eu sou um homem cauteloso. Tudo indica que eu serei escolhido, mas eu prefiro esperar o resultado, porque é uma disputa e é normal que a gente espere o resultado antes de definir. De maneira geral, eu diria que eu devo ser eleito candidato.
A presidente do PSOL, Heloísa Helena, é uma figura de projeção nacional, que já concorreu à presidência. Qual vai ser a importância dela na definição dessa candidatura?
Ela apoia um candidato (o presidente do diretório de Goiás, Martiniano Cavalcanti), mas o candidato que ela apoia não tem muita força. De modo que ela vai ter uma presença, como é certo, mas provavelmente a indicação dela não será acolhida pela maioria do partido.
Heloísa Helena defendeu publicamente o apoio do PSOL à candidatura de Marina Silva à presidência. No entanto, o partido foi em outra direção. Por que não ocorreu um acordo entre o PSOL e o PV?
Eu me opus fortemente a esse acordo, que eu considero um erro político. O PSOL é um partido que está se lançando na vida pública brasileira, após uma enorme derrota da esquerda, após um enorme impacto do fracasso do PT como um partido socialista. Então, ele é um partido em formação e, portanto, um partido que ainda não tem uma identidade própria. Não convém a um partido como esse, na segunda eleição que disputa, já fazer uma grande aliança com todo mundo. Veja, o Lula só foi fazer uma aliança com a direita em 2003, até então ele só fez aliança na esquerda, porque você precisa primeiro criar a sua identidade e depois você pode fazer aliança. O Mao Tse Tung fez aliança com o Chiang Kai-shek, mas ninguém havia de imaginar que o Mao Tse Tung estava virando capitalista. Agora, se ele no primeiro ano da fundação do partido comunista chinês, já fizesse uma aliança, acabava. Então foi esse o argumento que eu usei e que foi o argumento vitorioso na conferência do partido. Porque que não pode com a Marina? Porque a Marina é da direita. Ela pode ser uma direita moderada, uma direita que vai mais para o centro, isso tudo você pode admitir, mas ela não está no campo popular, ela não está no campo da classe trabalhadora, ela está no campo da ordem estabelecida, no campo portanto do PT, do PMDB, do PSDB, e ela está no partido que é governo em todos os Estados, inclusive aqui em São Paulo.
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