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Aécio diz que PT vai fazer 'um estágio na oposição a partir de 2014'

Após receber homenagem no Paraná, o senador do PSDB criticou o governo federal e afirmou que partido da presidente Dilma precisa 'reencontrar-se com seus valores'

19 de dezembro de 2011 | 16h 00
Evandro Fadel, correspondente de O Estado de S.Paulo

CURITIBA - O senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse, em entrevista coletiva, nesta segunda-feira, 19, em Curitiba, que o PSDB tem a oportunidade de prestar "um favor ao PT" nas próximas eleições presidenciais. "É importante o Brasil ter um partido de massas, e quem sabe nós vamos permitir que o PT faça um estágio na oposição a partir de 2014, até para que ele possa reencontrar-se com seus valores e com as ideias que ele abdicou, que ele esqueceu depois que chegou ao governo", afirmou.

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Pouco antes, Aécio tinha recebido a Ordem Estadual do Pinheiro, maior honraria do governo do Paraná. Falando em nome dos homenageados ele teceu críticas ao governo federal, num discurso apropriado para a campanha eleitoral oposicionista. Também escolhidos por uma comissão formada por secretários estaduais, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e das Comunicações, Paulo Bernardo, não compareceram. Entre os 47 homenageados estavam os ex-governadores Paulo Pimentel, Emílio Gomes, Jayme Canet Jr e Jaime Lerner.

O senador disse que a construção da sociedade brasileira é um trabalho contínuo de várias pessoas, "apesar das tentativas reiteradas de nos venderem a ideia de um novo país e de uma nova história construída apenas por alguns". "Não seremos o país de todos enquanto houver milhões na miséria e outros milhões dependentes da exclusiva benerência do Estado nacional, não seremos o país de todos com uma educação que deixa pelo caminho uma parte extremamente importante de nossos jovens", criticou.

Entre várias outras críticas, ele reforçou o discurso sobre o pacto federativo. "Vivemos hoje a maior concentração de tributos e recursos na esfera do governo central de toda nossa história republicana", afirmou. "Esta grave distorção estrutural também se traduz de outras formas, como a da instituição de um mando político com nuances quase imperiais e imposição de uma única visão nacional."

Na entrevista, ele reforçou as críticas quando perguntado sobre a decisão da juventude tucana de abraçar sua proposta de prévias. Segundo ele, o PSDB tem, antes de escolher o candidato, o dever de apresentar um "projeto novo e ousado" para o País. "Um projeto que cria um contraponto com esse absurdo e perverso aparelhamento da máquina pública que estamos assistindo no Brasil, com os consequentes desvios e ineficiência", disse. Para ele, o PT tem apenas "agenda de poder". "A manutenção do poder é a prioridade absoluta do PT, a agenda que está em curso hoje é uma agenda de 20 anos atrás proposta por nós e nós temos que novamente apresentar uma agenda para os próximos 20 anos", afirmou.

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse que a adoção das prévias pode ser um caminho ao partido. "Pelo menos o debate será muito salutar para encontrarmos a melhor opção para fortalecimento e consolidação da democracia interna partidária", disse. Mas ele negou que a honraria a Aécio seja um sinal de apoio a possível candidatura do senador à Presidência da República. "Tenho grande apreço pelo Aécio e aqui é apenas uma homenagem do Paraná a este grande político", reforçou.




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