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Aliados entram em choque por ministério

Principais forças de apoio a Dilma, PMDB e bloco PP-PROS disputam Integração Nacional para aumentar poder nas eleições de outubro

09 de janeiro de 2014 | 22h 26
João Domingos - O Estado de S. Paulo

Brasília - O PMDB e o bloco político formado por PP e PROS travam uma disputa por mais espaços na reforma ministerial que a presidente Dilma Rousseff promoverá nas próximas semanas. Essa disputa inclui até acusações de sabotagem na liberação de emendas: os peemedebistas afirmam que o PP, que comanda o Ministério das Cidades, está barrando dinheiro para seus deputados.

Principais forças da coalizão governista na Câmara - atrás apenas do PT -, os dois grupos têm como objetivo obter o controle da pasta da Integração Nacional, responsável por uma das mais importantes obras do governo, a Transposição do Rio São Francisco. A ideia é acumular postos que poderão ter influência nas eleições e, assim, aumentar suas bancadas nas eleições de outubro - o tamanho das bancadas é o principal parâmetro para definir o espaço de cada sigla em um governo.

Em reunião nesta semana em Brasília, o bloco PP-PROS decidiu que vai reivindicar a Integração Nacional, que o PMDB dá como certo que estará em suas mãos. As duas siglas também definiram que pretendem incorporar mais um ministério e, assim, aumentar sua cota no Executivo de uma para três pastas.

"Somos a terceira maior força da base do governo e a mais disputada pelos candidatos que vão concorrer à Presidência. Junto com o PROS, temos 58 deputados. Estamos muito próximos do PMDB", diz o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que oferece ao governo em troca desses espaços o apoio do partido à reeleição da presidente. Em 2010, o partido ficou neutro na disputa.

O PMDB, por sua vez, diz que abre mão da Integração Nacional desde que o PP aceite entregar o Ministério das Cidades. Nesse caso, os peemedebistas até dariam de troco o Ministério do Turismo. "Nem a Integração Nacional nem o Turismo têm execução orçamentária que atenda o País e os parlamentares como o Ministério das Cidades", afirma o líder peemedebista na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ). "Se o PP quiser fazer a troca, está feito."



Orçamento. A troca, rejeitada pelo PP, interessaria porque Cidades tem muito mais condições de investimentos nas bases eleitorais do que Integração Nacional. A pasta tem orçamento previsto para este ano de R$ 22,98 bilhões, sendo R$ 6,92 bilhões para investimentos. É nela que estão os recursos para programas de alto apelo eleitoral, como o Minha Casa Minha Vida.

Só para saneamento básico, para onde parlamentares indicam boa parte de suas emendas, estão reservados R$ 3,35 bilhões neste ano. Já infraestrutura urbana, outro alvo preferencial das emendas, terá R$ 1,07 bilhão. A Integração terá orçamento de R$ 8,45 bilhões, dos quais R$ 6,56 bilhões para investimentos.

Cidades leva outra vantagem pelo retorno imediato em termos de votos, pois suas obras são mais visíveis ao eleitor, como casas, saneamento e asfalto nas ruas, enquanto a Integração trata de construções demoradas, como a transposição do São Francisco, e que beneficiam locais muito específicos. Foi justamente o direcionamento desses recursos para as bases eleitorais que inaugurou neste ano o embate entre as duas siglas. Cunha acusou o Ministério das Cidades de segurar o repasse de R$ 18 milhões em emendas de parlamentares do PMDB, beneficiando os do PP.

"O PMDB já indicou o vice Michel Temer para a chapa da presidente Dilma que vai disputar a reeleição. Nós, com a força que temos, merecemos a Integração. Somos maiores do que o PSB e só tínhamos Cidades. Agora, é nossa vez de pegar a Integração", diz o presidente do PP, Ciro Nogueira. "Não se trata de uma reforma ministerial, de uma mexida de ministros, mas de um destino aos ministérios que eram do PSB. E a Integração deverá ficar com o PMDB", diz o líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha.






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