ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Você está em Notícias > Política

América Latina não pode ser ingênua na relação com China, diz analista

Para Maurício Cardenas, região deve ter cuidado para não trocar dependência dos EUA por dependência dos chineses.

29 de abril de 2011 | 19h 27

A América Latina não deve ser ingênua nas relações com a China e precisa ter cuidado para "não ir de uma potência para a outra", trocando a dependência dos Estados Unidos pela do gigante asiático, diz o colombiano Maurício Cárdenas, diretor do setor latino-americano do instituto de pesquisas Brookings Institution, em Washington.

Na avaliação de Cárdenas, a América Latina tem sido ingênua em relação à China. Não exigiu o suficiente que o país abrisse seu mercado nem colocou em dúvida a duração do crescimento chinês. "Fomos muito ingênuos em pensar que a China vai continuar crescendo na taxa de 10% ao ano e que a demanda por commodities vai continuar neste ritmo para sempre", afirmou Cárdenas à BBC Brasil no Fórum Econômico Mundial da América Latina, no Rio. De acordo com Cárdenas, há diversos sinais vindos da China de que a atual taxa de crescimento não se sustentará, pois haveria excesso de capacidade em setores da economia, vilas com muitos prédios e poucos habitantes, fábricas operando abaixo da capacidade. "Diversos exemplos indicam que há excesso de investimento na China. E sempre que vimos isso na história, houve um ajuste custoso depois, seja porque empréstimos não foram pagos, bancos enfrentam dificuldades ou ninguém quer investir mais no local."

Para Stephen Olson, diretor do instituto Asia Economic Strategy Institute, o Brasil também deve agir para que a China desvalorize sua moeda, pois, segundo ele, a atual cotação do yuan prejudica indústrias brasileiras.

Mas ele diz que pressionar o país pode ser contraproducente, porque os chineses poderão achar que adotar a medida simbolizará fraqueza e submissão a vontades externas. Em vez disso, sugere uma "diplomacia silenciosa" que faça a China entender que valorizar o yuan será vantajoso para o país.

Para Cárdenas, a América Latina precisa estar pronta para o momento em que o "motor do mundo desacelerar". Isso equivale a aumentar a poupança ("Não falamos mais em poupança na América Latina, falamos só em investimetno, empréstimo, expansão de crédito") e fortalecer os mercados internos para criar uma base forte para o crescimento econômico. "O problema é que expandimos o mercado interno, mas muito dessa demanda está sendo suprida por manufaturados chineses. Pense nos eletrodomésticos, nos automóveis. Isso é o caso menos do Brasil, mas é fato em países como Peru e Chile, onde a maioria desses produtos é importada da Ásia." A expansão do mercado interno deveria permitir o aumento da produção doméstica de manufaturados e incentivar a exportação de produtos além das commodities, ressalta. Segundo o analista, em muitas maneiras a relação com a China se parece com uma relação "Norte-Sul". "Eles fazem os manufaturados, nós fazemos as commodities, nós aceitamos o capital", afirma o colombiano.

Olson, do Asia Economic Strategy Institute, diz que a China é muito direta em perseguir seus interesses estratégicos e comerciais.




Siga o @EstadaoPolitica no Twitter

Embate Gilmar Mendes x Lula ganha contornos de quase crise institucional

  • Embate Gilmar Mendes x Lula ganha contornos de quase crise institucional
  • Haddad quer corredor de ônibus na 23 de Maio
  • Ex-pintor não sabia que poderia ter acesso ao Bolsa Família