Amorim cobra ONU sobre vaga no Conselho de Segurança
Ministro quer que se abra um processo de negociações para que o Brasil reivindique uma cadeira permanente
A intenção do Brasil de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) foi um dos temas discutidos nesta terça-feira, 5, na reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o presidente da 62ª Assembléia Geral das Nações Unidas, Srgjan Kerim. Ao sair do encontro, Amorim afirmou que não dá mais para ficar esperando uma decisão. "O nosso interesse é que haja um processo de negociações, sem pré-julgar os resultados; claro que nós temos a nossa posição, o que não é possível é depois de 15, 16 anos, continuarmos parados, só fazendo discurso", defendeu o ministro. O chanceler não arriscou afirmar se a reunião com Kerim vai trazer resultados positivos para o Brasil no seu pleito, mas disse que o diplomata "ouviu com atenção" as colocações brasileiras, deve levar em consideração as posições de todos os interessados e vai fazer o que for possível para avançar no tema. "Nós queremos que haja avanço. Eu creio que algum avanço está tendo e que há uma consciência cada vez maior de que é preciso passarmos para uma fase de negociações e sairmos de uma mera discussão", disse. Além da reunião com Amorim, Srgjan Kerim fez uma palestra nesta terça no Instituto Rio Branco e cumpriu agenda de visitas e contatos com empresários brasileiros no Rio de Janeiro e em São Paulo durante o fim de semana. Conselho de Segurança Os cinco atuais membros permanentes do Conselho de Segurança são Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China. Os dez membros temporários ocupam mandatos de dois anos, distribuídos por critérios regionais.
Desde a criação da ONU, em 1945, o Conselho de Segurança só foi ampliado uma vez, em 1965, quando o número de membros eleitos subiu de 6 para 10. Por mais de uma década, a Assembléia Geral da ONU tem se esforçado para encontrar maneiras de ampliar o conselho, órgão mais poderoso das Nações Unidas.
Entre os principais candidatos às novas vagas permanentes estão Alemanha, Brasil, Índia e Japão. Para a eventual vaga africana, os principais aspirantes são África do Sul, Nigéria e Egito. Críticos dizem que a composição do órgão para a paz e a segurança internacional está obsoleta e que deve se adaptar às mudanças mundiais no século 21. Agora, diplomatas afirmam que há uma nova chance para a expansão do conselho.
Recentes tentativas de abrir negociações formais para ampliar o conselho falharam. Mas no ano passado o presidente da Assembléia Geral da ONU disse que era o momento de romper a inércia e ajudar no lançamento de negociações formais. (Com Reuters)
Texto ampliado às 17h28
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