ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Você está em Notícias > Política

Analistas questionam atuação do governo na crise do Senado

Para cientistas políticos, postura de Lula reflete opção pela preservação de aliança com PMDB.

21 de agosto de 2009 | 14h 33

A decisão do PT de trabalhar para impedir a investigação no Congresso das acusações de uso do cargo em benefício próprio contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), reflete uma opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela preservação da aliança com o PMDB, de olho nas eleições de 2010, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Um dos principais aliados do governo no Congresso, Sarney enfrenta uma série de acusações, incluindo a de utilizar o cargo de presidente do Senado para nomear e exonerar parentes por meio de atos secretos.

Para o cientista político e diretor do Centro de Pesquisa e Comunicação (Cepac), Humberto Dantas, ao atuar a favor de Sarney, Lula vem "sistematicamente" rompendo com princípios que marcaram a atuação do PT na história política do país, como o combate à corrupção e ao uso da administração pública para fins pessoais.

"Mesmo dentro do jogo político e do pragmatismo, existem certos limites", diz Dantas. "A aproximação ao PMDB e ao senador José Sarney não compensam o desgaste pelo qual o presidente Lula e seu partido estão passando."

Durante a sessão do Conselho de Ética do Senado que arquivou as denúncias contra Sarney, na quarta-feira, 19, o PT divulgou uma nota em que orientava os senadores do partido a votar pelo arquivamento.

No texto, o presidente do partido, Ricardo Berzoini, pedia a apuração das irregularidades pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, mas atribuía a crise em torno de Sarney a uma "disputa política relacionada às eleições de 2010".

"A forma como as denúncias concentram-se no presidente do Senado, José Sarney, não deixa dúvidas de que, mais que apurar e reformar, a pretensão é incidir nas relações entre partidos, que apoiam o governo ou que podem constituir alianças para as eleições nacionais e estaduais do próximo ano", dizia a nota.

Após a divulgação da nota, o senador Flávio Arns (PT-PR) disse que o partido "pegou a folha da ética e jogou no lixo" e anunciou que está deixando o PT.

O líder do partido no Senado, Aloizio Mercadante (SP), também chegou a ameaçar deixar a liderança da bancada, mas recuou da decisão após uma conversa com o presidente Lula.

Em discurso no Plenário do Senado, nesta sexta-feira, Mercadante disse que a aliança com o PMDB deve ser "preservada", mas que algumas questões defendidas pelo PT "não podem se perder em nome da governabilidade".

Eleições

A aliança com o PMDB, maior partido não apenas no Congresso Nacional, mas também com forte presença em todas as regiões, é considerada peça fundamental nas eleições presidenciais do próximo ano.




Siga o @EstadaoPolitica no Twitter

Embate Gilmar Mendes x Lula ganha contornos de quase crise institucional

  • Embate Gilmar Mendes x Lula ganha contornos de quase crise institucional
  • Haddad quer corredor de ônibus na 23 de Maio
  • Ex-pintor não sabia que poderia ter acesso ao Bolsa Família