Apagão vira arma política e eleitoral da oposição no Congresso

Líderes das procuraram colar responsabilidade à Dilma, pré-candidata do PT e ex-ministra de Minas e Energia

estadao.com.br,

11 Novembro 2009 | 13h39

O apagão que atingiu 18 Estados na noite de terça-feira, 10, transformou-se em arma política e eleitoral para a oposição na manhã desta quarta-feira, 11, com requerimentos na Câmara e no Senado para que os ministros de Minas e Energia, Edison Lobão, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, expliquem o blecaute.  

 

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O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), relacionou a queda de energia diretamente à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia. "Além do prejuízo ao País, o apagão caracteriza a incompetência da candidata do governo à presidência", afirmou Caiado. "Faltou investimento", continuou o líder do DEM. "O modelo implantado por Dilma expulsou os investidores e o governo não investiu, provocando o colapso", disse. Dilma é pré-candidata à sucessão do presidente Lula, no ano que vem.

 

Caiado deve convocar Dilma e Lobão para darem explicações à Comissão de Minas e Energia da Casa. O ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, também é alvo de um requerimento de convite do deputado oposicionista. Pelo regimento, os convocados são obrigados a participar da audiência; como convidados, podem recusar o chamado.

 

No Senado, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), prometeu registrar ainda nesta quarta-feira, na Comissão de Infraestrutura da Casa, requerimento de convite para Dilma e Lobão. O tucano também aproveitou para alfinetar Dilma, e comparou o apagão de terça aos acontecimentos semelhantes do governo anterior, do também tucano Fernando Henrique Cardoso.

 

"Quero que venha dar explicações a ministra que disse que apagão nunca mais aconteceria. No governo passado o que houve foi um racionamento, desta vez foi apagão. E a ministra sempre falou sobre isso como um tom revanchista", disse o senador do PSDB. "Quero saber se o apagão afetou a confiabilidade do investidor no Brasil, se houve reflexo na segurança pública e saber as causas desta pane", completou.

 

O líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), classificou o apagão como "um caso típico de pane gerencial". Ele avaliou que, pela extensão do blecaute, a chuva não pode ter sido determinante. "A chuva ajudou, mas o governo colaborou para aumentar o problema. É preciso investimento e gerenciamento neste setor", disse. "E quem garante que não irá ocorrer outra vez?", questionou Coruja.

 

Perguntas

 

Na lista de perguntas do requerimento enviado por Caiado, o democrata questiona quantos Estados e municípios foram atingidos, qual o valor estimado do prejuízo, que medidas efetivas serão adotadas para minimizar os prejuízos com o apagão e qual foi o total de investimentos feitos para diminuir a fragilidade dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e para incrementar os sistemas de segurança das linhas de transmissão no período de janeiro de 2003 até hoje.

 

Por sua vez, o líder do PT na Câmara, Candido Vaccarezza (SP), rebateu as acusações da oposição. Segundo ele, não houve um apagão, e sim uma queda de energia que durou menos de três horas. Ele afirmou que, ao contrário do que a oposição diz, o apagão mostra a capacidade do governo e da ministra Dilma.

 

"Na época deles (governo Fernando Henrique Cardoso) foi um ano de apagão. No nosso governo, três horas e sem nenhuma consequência grave para a economia do Brasil. A economia vai crescer neste trimestre e continuar no ano que vem. Este é um tema que nos interessa discutir e comparar o que foi feito no governo deles e no nosso", afirmou Vaccarezza.

 

Segundo ele, no governo passado foi necessário controlar o crescimento da economia, por falta de produção de energia e que hoje o Brasil produz mais do que precisa e investe mais para acelerar o crescimento econômico.

 

Com informações de Denise Madueño e Carol Pires, da Agência Estado

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