Após acusação, Lula afasta cúpula da Abin temporariamente
Agência é acusada de grampear o presidente do STF, ministros e outros políticos, segundo reportagem de 'Veja'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou temporariamente nesta segunda-feira, 1º, toda a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A decisão atinge o diretor-geral do órgão, Paulo Lacerda. Procurado pelo estadao.com.br, o Planalto confirmou o afastamento somente após o STF dizer que o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, havia sido informado por Lula da decisão. Assessores do informaram que o afastamento vai vigorar até o fim das investigações. Reportagem da revista Veja acusa a Abin de grampear o presidente do STF, ministros do governo Lula, políticos do governo e da oposição, com base em informações de um servidor anônimo da agência. O presidente também deve anunciar outras medidas ainda nesta segunda. Veja Também: Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos STF espera providências sobre grampos pela 'gravidade dos fatos' Abin tem divisões e é 'monstro' sem controle, avaliam políticos Abin diz que abrirá sindicância para apurar grampos 'Lula terá que tomar providências', diz Garibaldi Grampeado, Demóstenes exige medidas de Lula Após a acusação, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, já havia tomado duas providências: autorizou a realização de uma sindicância interna para apurar a responsabilidade da Abin no grampo e solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito. Por meio de seu porta-voz, o STF informou que o conselho de ministros "decidiu aguardar as providências exigidas pela gravidade dos fatos". Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Lacerda assumiu a diretoria-geral da Abin no ano passado com a incumbência de exercer mais controle sobre ela. De lá para cá, a agência já foi envolvida em dois casos rumorosos. No primeiro, por ocasião da operação Satiagraha, Lacerda negou o uso de grampos para contribuir com a Polícia Federal. Agora, o tema de escuta ilegal volta à berlinda. Legalmente, a Abin não tem prerrogativa de operar com escutas ilegais. Lula e ministros discutiram nesta tarde o episódio da escuta telefônica ilegal em reunião da coordenação de governo. Na conversa com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e com os senadores Tião Viana (PT-AC) e Demóstenes Torres, no Planalto, Lula reafirmou sua confiança em Lacerda, mas não escondeu sua preocupação com o fato de a prática de escutas telefônicas ter sido recorrente em seu governo "O presidente disse que a situação é extremamente grave e que o grampo vem acontecendo sistematicamente", afirmou Tião Viana. "Ele afirmou que há um descompasso, que vai localizar esse descompasso e tomar medidas duras", prosseguiu. Depois da reunião da coordenação de governo, Lula prometeu comunicar aos senadores as medidas do governo. O general Jorge Felix, a quem a Abin é subordinada, afirmou que vem trabalhando para que a agência não saia de suas atribuições. Uma delas, o impedimento de fazer escuta telefônica. Além de Jorge Felix, participaram da reunião no gabinete de Lula o vice-presidente José Alencar e o ministro de Relações Institucionais, José Múcio. O ministro da Justiça, Tarso Genro, chegou quase ao final do encontro. Os senadores, por sua vez, prometeram acelerar a votação de projeto que trata sobre grampo, de autoria do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Preocupados com os rumores de que o grampo teria sido feito nos gabinetes do Senado, os parlamentares querem que isso também seja investigado. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, afirmou que a Casa tem uma central de telefone fechada, de fibra ótica, que acusa eventuais ruídos nas ligações. Ou seja, a central teria identificado a ocorrência de escutas ilegais o que, segundo ele, não aconteceu. (Com Andréia Sadi, do estadao.com.br, Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo, Leonencio Nossa, da Agência Estado, e Reuters) Texto atualizado às 19h54
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