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Após crise, Jobim quer criar grupo de defesa sul-americano

Objetivo do ministro é evitar conflitos e reduzir a dependência das armas norte-americanas na região

12 de março de 2008 | 17h 00
Raymond Colitt - Reuters

Na seqüência da crise que levou os países andinos à beira de uma guerra, o Brasil quer criar um conselho regional de defesa para evitar conflitos e reduzir a dependência das armas norte-americanas, disse o Ministro da Defesa, Nelson Jobim. Jobim afirmou que o Conselho da América do Sul discutiria um plano de defesa conjunto, compra coordenada de armas e poderia até criar uma indústria comum de armas. Isso poderia também ajudar a aliviar tensões como aquelas que quase levaram a um conflito armado na região do Andes esse mês.      Veja também: Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc  Entenda a crise   Histórico dos conflitos armados na região   'É possível que as Farc se desarticulem'   Embaixador brasileiro Osmar Chohfi comenta decisão da OEA  

  "Após essa ameaça de conflito, uma organização como essa se tornou absolutamente necessária como um mecanismo de prevenção", disse Jobim em entrevista à Reuters na noite de terça-feira, 11. O Brasil é, facilmente, o maior fornecedor de armas na América do Sul e poderia ganhar terreno contra os fabricantes norte-americanos se os governos da região se juntarem em assuntos de defesa.   Jobim afirmou que o conselho cortaria a dependência da América do Sul em fornecedores estrangeiros. "Se você depende de importações, o primeiro problema que você enfrenta são proibições de armas", Jobim disse, citando as dificuldades da Argentina em usar seus mísseis durante a Guerra de das Malvinas em 1982.   Ele espera começar as atividades do conselho na segunda metade do ano e vai se reunir com o presidente venezuelano Hugo Chávez nas próximas semanas para iniciar o processo.    A crise entre Equador, Venezuela e Colômbia, afinal resolvida com apertos de mãos durante uma cúpula na República Dominicana, fez com que o Brasil ficasse ainda mais preocupado com a polarização entre aliados dos EUA, como a Colômbia, e adversários, como a Venezuela.

Além de discutir um plano conjunto de defesa e questões estratégicas comuns, um dos objetivos do conselho é ajudar a reduzir a dependência da região em relação a indústrias armamentistas estrangeiras, especialmente as norte-americanas, segundo Jobim.

Autoridades brasileiras dizem ainda que caças comprados pelo Chile vieram sem mísseis por causa de restrições à transferência de tecnologia dos EUA. Em 2006, o Brasil queixou-se de que Washington havia proibido o país de vender aviões à Venezuela. Para evitar esse empecilho, segundo Jobim, a empresa Avibrás evita usar peças importadas dos EUA.

De acordo com Jobim, o Brasil está alterando suas prioridades de defesa - passando da fronteira sul para a Amazônia, o litoral e o espaço aéreo - e está adequando suas armas a essa realidade. Um estudo do governo sobre as novas prioridades ficara pronto em setembro.

Em abril ou maio, Equador e Bolívia devem assinar um acordo para usar o Sivam (Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia) para o combate ao narcotráfico, ao desmatamento e a enchentes.   Exportação  A Colômbia usou aviões brasileiros no bombardeio contra um acampamento da guerrilha das Farc em território equatoriano, que desencadeou o recente conflito entre Venezuela, Colômbia e Equador. A Guarda Nacional da Venezuela também importou pistolas brasileiras. O Brasil espera, agora, ocupar determinados nichos do mercado bélico regional, exportando itens como blindados, pistolas, munições e um avião médio de transporte militar da Embraer, disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, na terça-feira, 11.



Tópicos: POLITICA, JOBIM, ENTREVISTA

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