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Após racha com PMDB, petistas começam a deixar governo do Rio

Cerca de 50 funcionários da Secretaria do Ambiente e do Instituto Estadual do Ambiente já pediram demissão; medida segue decisão do diretório regional da legenda

30 de janeiro de 2014 | 19h 53
Luciana Nunes Leal - O Estado de S. Paulo

Rio - A retirada em massa dos petistas que têm cargos comissionados no governo do Estado, prometida pela direção regional do PT, começou nesta quinta-feita, 30, com o pedido de demissão de cerca de 50 funcionários da Secretaria do Ambiente e do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Trinta comissionados da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos devem pedir demissão nesta sexta, mas as informações obtidas pelo Estado são de que grande parte dos funcionários pretende ficar e esperar a decisão do novo secretário, contrariando resolução do PT-RJ que determina que todos os filiados peçam exoneração até o fim de janeiro.

"Todos os petistas estarão fora do governo, vamos conferir o Diário Oficial a partir de segunda-feira. Estão todos mais do que avisados que têm de sair. Quem descumprir a resolução está fora (do partido)", diz o presidente regional do PT, Washington Quaquá.

O governador Sérgio Cabral, que na quarta tornou público o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, apesar do fim da aliança PMDB-PT no Rio, assinou nesta quinta a exoneração dos secretários petistas Zaqueu Teixeira, de Assistência Social e Direitos Humanos, e Carlos Minc, do Ambiente. Questionado sobre quantos petistas tinha em seu governo, Cabral respondeu: "Dois, os dois secretários. Eles têm autonomia para escolher os subordinados, não sei se são filiados ou não".

A secretária interina do Ambiente e presidente do Inea, Marilene Ramos, também petista, disse que assinou o pedido da própria exoneração e de cerca de 50 funcionários da Secretaria e do instituto. Ela negou a intenção de se licenciar do partido para continuar no cargo. "Há quatro meses, quando se falou em uma possível saída do PT, houve uma consulta do governo se eu poderia ficar. Mas o PT não saiu e não pensei na hipótese. Na conjuntura atual, não vejo essa possibilidade", disse Marilene. O secretário Carlos Minc está de férias na Bahia.

Zaqueu lamentou o fim da aliança e disse que alguns funcionários de cargos de confiança poderão ficar na Secretaria para fazer a transição com o novo secretário. Nos próximos dias, o Diário Oficial começará a publicar as exonerações. " A união deu muito certo, estamos juntos há sete anos. Nossos caminhos estão se separando agora, mas no futuro estaremos juntos novamente", afirmou.

O secretário demissionário disse não saber o número total de funcionários comissionados filiados ao PT e negou que a secretaria seja um feudo petista no governo Cabral, como definem alguns aliados do governador. "O governador me deu liberdade para escolher e meu critério sempre foi técnico. Sempre analisei currículo, nunca filiação partidária", disse o secretário, citando alguns de seus principais colaboradores que não são militantes petistas.

Desde o primeiro ano do primeiro mandato de Cabral, em 2007, a Assistência Social e Direitos Humanos é ocupada pelo PT. Segundo informações da Secretaria de Planejamento e Gestão, a secretaria tem 453 servidores em atividade, sendo 377 (83%) ocupantes de cargos em comissão. O governo do Estado diz não saber quantos são filiados a partidos políticos.

Extraoficialmente, integrantes do governo calculam que 700 ocupantes de cargos comissionados no Estado são petistas. O presidente do PT-RJ reage: "É exagero, o número não passa de 350". A exoneração dos petistas deverá ser publicada ao longo dos próximos dias, com validade a partir de 31 de janeiro.





Tópicos: PMDB, Sérgio Cabral, PT

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