Auditorias contra os ‘ex’ já são praxe na política brasileira
Atitude dos governadores que assumem costuma ter 2 objetivos: desmoralizar antecessor e justificar atitudes como o corte de despesas e de pessoal
BRASÍLIA - Sempre que há alternância de poder nos governos estaduais, são anunciados rombos e auditorias para apurar irregularidades cometidas pelos antecessores.
Tal atitude por parte dos governadores que assumem costuma ter dois objetivos: desmoralizar o antecessor quando a radicalização da campanha foi grande demais e justificar atitudes como o corte de despesas e de pessoal.
Ao longo do tempo a situação tende a voltar ao normal. Quando o caixa se equilibra, as contratações de cargos de confiança voltam a ser feitas, só que desta vez beneficiando aliados do partido que está no governo.
Todo governante sabe que uma política de austeridade de gastos, avara com os funcionários, é quase a certeza de derrota nas próximas eleições.
As auditorias feitas por sucessores de oposição são tradicionais no Brasil. O ex-governador do Paraná Roberto Requião (PMDB), por exemplo, anunciou em 2003 a abertura de auditorias nas contas do antecessor Álvaro Dias (PSDB). Falou em desmandos no Porto de Paranaguá - mas acabou nomeando o irmão Eduardo para administrá-lo.
Agora, o governador Beto Richa (PSDB) anuncia que fará auditorias na administração do Porto de Paranaguá e nos órgãos do governo, para identificar supostas irregularidades da administração anterior. Beto Richa visa, com a decisão, atingir diretamente a Requião, que se elegeu senador, e Orlando Pessutti (PMDB), o vice que sucedeu o titular e que, a pedido da então candidata presidencial Dilma Rousseff, não se candidatou à reeleição, deixando o lugar livre para Osmar Dias (PDT).
Dias, no entanto, foi derrotado por Beto Richa. Agora, quer a presidência de Itaipu Binacional, um feudo do PT desde que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em 2003.
Orlando Pessutti terá um cargo no governo federal, uma compensação por ter deixado de se candidatar à reeleição para evitar danos políticos a Dilma no Estado. O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ofereceu-lhe a presidência da Companha Nacional de Alimentação (Conab).
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