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Aumenta pressão para Feliciano deixar o cargo

Impedido por novos protestos, pastor que comanda Direitos Humanos na Câmara ficou apenas 8 minutos na sala – mas continuou resistindo à renúncia

20 de março de 2013 | 21h 04
Eduardo Bresciani

BRASÍLIA - Em dia marcado por novos protestos, cresceu a pressão, nesta quarta-feira (20),para que o pastor Marcos Feliciano (PSC-SP) renuncie à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Parlamentares de vários partidos lançaram uma frente parlamentar em defesa dos Direitos Humanos e o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) cobrou do PSC uma solução para o caso.

Entre gritos e palavras de ordem, a comissão não conseguiu realizar o debate - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Entre gritos e palavras de ordem, a comissão não conseguiu realizar o debate

Entre gritos e palavras de ordem, a comissão não conseguiu – como na terça-feira – realizar o debate previsto e Feliciano ficou exatos oito minutos no comando da sessão – mas, até o início da noite, não dava sinais de que abandonaria o posto.

A eleição de Feliciano para comandar o colegiado tem provocado reações negativas de vários movimentos ligados a direitos dos negros e homossexuais, que o acusam de ser racista e homofóbico – em função de declarações suas que circularam em redes sociais. Um vídeo divulgado por um assessor do pastor no início da semana, com ataques a deputados que o criticam e a rituais africanos,acirrou ainda mais o embate. Até parlamentares do próprio PSC, incluindo o líder André Moura (SE), já pediram que ele deixe o cargo. Henrique Alves anunciou, pouco depois, que se reuniria com Feliciano para debater a situação, mas este não apareceu.

O líder do partido e o vice-presidente do PSC, Everaldo Dias Pereira, conversaram com o presidente da Câmara e ficaram de promover um debate na bancada e com Feliciano. “Fiz um apelo ao PSC e mostrei a preocupação com a comissão”, disse Alves, prevendo uma solução para os próximos dias.

O lançamento da nova frente parlamentar em defesa dos direitos humanos teve presença do líder do PT, José Guimarães (CE), e do secretário nacional de Justiça. Parlamentares que comandam a resistência contra o pastor anunciaram, no ato,que vão acionar a Corregedoria da Casa para investigá-lo sobre o emprego dado a pastores em seu gabinete, além de solicitar investigação criminal sobre o vídeo divulgado por seu assessor.

Oito minutos. Tentando ignorar a pressão, na sessão des quarta-feira, o pastor chegou às 14h26 para presidir uma reunião conjunta da Comissão de Direitos Humanos com a de Seguridade Social e Família. Desde a abertura dos trabalhos, porém, manifestantes que conseguiram furar o bloqueio da segurança gritaram palavras de ordem e inviabilizaram o debate. Passados oito minutos, Feliciano passou o comando ao deputado Henrique Afonso (PV-AC), justificando que ele era o autor do requerimento para a discussão dos direitos dos portadores de transtorno mental.

A saída do presidente da comissão, porém, não foi o suficiente: os gritos continuaram. Um dos convidados para o debate, Aldo Zaiden, do Ministério da Saúde, tentou iniciar sua exposição justamente afirmando que os direitos humanos vivem um “retrocesso” no País. A frase foi interrompida por gritos a favor e contra. O debatedor se retirou dizendo que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) o censurou ao pedir que tratasse apenas do tema para o qual havia sido convidado. A sessão foi encerrada, sem debates, em menos de uma hora e os gritos continuaram, dessa vez, dirigidos a Bolsonaro.

A essa altura, Feliciano já estava no plenário da Câmara, onde passou o resto da tarde. Ele recebeu conselhos de vários deputados. A maioria, como o líder do PR, Anthony Garotinho (RJ), também evangélico, recomendou que deixasse o cargo por já ter conseguido “capitalizar” junto a seu eleitorado.

O pastor, porém, resistiu. Aliados argumentam que uma desistência significaria uma concessão aos grupos rivais. Outros sugeriram que ele fosse retirado da função, mas essa medida não tem previsão regimental. Legalmente, Feliciano tem mandato de um ano à frente da comissão.




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