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Brasil estaria disposto a estabelecer diálogo com o Hamas

'Aproximação pode dar ao grupo a impressão de ganhar legitimidade internacional', disse ministro palestino

06 de janeiro de 2010 | 16h 17
Jamil Chade, da Agência Estado

O chanceler Celso Amorim admitiu nesta quarta-feira, 6, que o Brasil estaria disposto a estabelecer um diálogo com o grupo Hamas, alvo de um boicote dos países ocidentais, e quer participar do monitoramento de um eventual relançamento de um processo de paz no Oriente Médio. Mas recebeu um duro recado do governo da Autoridade Palestina: uma aproximação ao Hamas pode dar a impressão ao grupo considerado como terrorista de estar ganhando legitimidade internacional.

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O chanceler manteve em Genebra uma reunião com o ministro de Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Riad Malki. Na pauta, a participação do Brasil no monitoramento da implementação do processo de paz na região, uma nova posição que o Itamaraty quer garantir nos próximos meses.

Na agenda do encontro, os ministros ainda trataram da realização de uma conferencia mundial no Brasil com a diáspora palestina e a confirmação da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos territórios palestinos, Israel e Jordânia na semana do dia 15 de março.

Malki, como já fez em abril de 2009, criticou o Quarteto (grupo que promove o processo de paz Rússia, Estados Unidos, União Europeia e ONU) e defendeu que uma conferência mais ampla seja convocada para lidar com a paz no Oriente Médio, inclusive com a participação do Brasil.

"Sempre sentimos que muitos países tem o direito de dar sua contribuição para o processo de paz. Se o Brasil quiser ter esse papel, devemos considerar. Isso ajudara o processo de paz", disse o palestino. "Nós sentimos que Quarteto não faz o suficiente para fazer avançar o processo de paz. Ele deveria ser aberto e permitir que novas ideias sejam injetadas. O Brasil mostrou que quer contribuir", afirmou Malki.

Os palestinos acusam os israelenses de estarem bloqueando a retomada do processo de paz. Mas, em um eventual relançamento, querem um grupo de países mais próximos aos interesses palestinos para monitorar o cumprimento das obrigações.




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