Brasil pode integrar grupo de países contra o tráfico de armas e drogas
Criação do grupo é uma das propostas em discussão em reunião de ministros de Justiça e Segurança do G8, mais países convidados, sobre crimes internacionais
O Brasil será convidado a participar de um grupo de países que desenvolverá ações conjuntas contra o crime organizado, em especial o tráfico de drogas e de armas. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 9, em Paris, pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A criação do grupo será discutida nesta terça-feira, 10, em uma reunião de ministros de Justiça e Segurança dos países-membros do G-8, mais governos convidados.
O objetivo do grupo seria integrar ações de inteligência e de repressão em diferentes países, organizando o trabalho de polícias nacionais, caso da Polícia Federal no Brasil. A proposta de criação do grupo foi feita pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, aos demais membros do G-8 - Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e Rússia. Para discutir detalhes do projeto, uma reunião de ministros foi programada para hoje, em Paris, com a participação de países convidados, entre os quais o Brasil.
"É uma discussão muito saudável, porque é um problema que transcende fronteiras", afirmou Cardozo. "A ideia da troca de informações é chave, sem que você venha a perder a sua identidade e a sua soberania." Segundo o ministro, o Brasil foi convidado a participar por suas dimensões geográficas e econômicas e pelo fato de fazer fronteira com grandes produtores de cocaína, como Colômbia e Peru, e maconha, caso do Paraguai.
O grupo reuniria ainda países produtores de drogas, assim como aqueles pelos quais tráfico transita e onde o produto é consumido, como Estados Unidos e Europa. "O Brasil é convidado um pouco por tudo. É principalmente um país de trânsito, mas também um pouco de produção e de consumo, características de um país continental." Para Cardozo, uma das contribuições do Brasil será o melhor monitoramento das fronteiras, assim como a melhor integração com países vizinhos, como Bolívia, Argentina e o Paraguai. "Temos de reduzir a vulnerabilidade da fronteira brasileira", reconhece.
Nesta segunda, Cardozo seria recebido, junto dos demais ministros convidados, por Nicolas Sarkozy, antes de participar de um encontro com o ministro do Interior, Claude Guéant. A reunião do G8 acontece ao longo de todo o dia.
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