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Brasil quer dirigir escritório de combate ao crime da ONU

País lança candidatura de Pedro Abramovay, atual secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça

25 de novembro de 2009 | 17h 17
Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo

O Brasil quer liderar o órgão da ONU que se ocupa do combate contra o crime e drogas no mundo. O governo brasileiro lançou Pedro Abramovay, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, como candidato para ocupar o posto de diretor-executivo do Escritório da ONU para o Combate ao Crime e Drogas.

Hoje, o organismo com sede em Viena é liderado pelo italiano Antônio Maria Costa, que está por concluir seu segundo mandato à frente da entidade. Costa quer permanecer, mas a cúpula da ONU já indicou que ele só ficaria se houvesse um consenso internacional sobre seu nome.

O Brasil, que busca desde 2003 ocupar cargos relevantes na ONU, já mobilizou todas suas embaixadas pelo mundo para pedir votos e apoio a Abramovay. Nesta semana, o ministro da Justiça, Tarso Genro, falará com o governo suíço em busca de apoio.

Em declarações ao Estado, o secretário acredita que tem o apoio da América do Sul e de alguns parceiros importantes do Brasil, como Portugal. A Rússia seria outro país que teria mostrado sua simpatia ao candidato.

"Temos de tirar a ideologia do combate às drogas", disse Abramovay, que defende uma luta prática. "O crime está globalizado e precisamos de novos meios e uma harmonização das práticas para lidar com esse fenômeno", afirmou.

O brasileiro ainda aposta no desenvolvimento e uso de novas tecnologias para garantir a coordenação entre as polícias do mundo no combate às drogas.

Frustrações - Desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil já participou de várias eleições para postos relevantes na ONU. O próprio chanceler Celso Amorim e o presidente Lula já deixaram claro ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, que gostariam que brasileiros fossem considerados em suas escolhas para postos chaves na entidade.

Mas desde 2003, os candidatos brasileiros acumularam derrotas em várias frentes. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), o candidato brasileiro Luis Felipe de Seixas Correia, ficou na última colocação. O Brasil também perdeu a eleição para o posto de diretor da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) e para a chefia da União Internacional de Telecomunicações.

A candidatura do Brasil para o Banco Interamericano de Desenvolvimento também foi derrotada, assim como para o cargo de árbitro na OMC, posto que foi negado à Ellen Gracie.




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