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BRICs são incapazes de promover mudanças significativas, diz 'Economist'

Revista britânica cita falta de coerência e rivalidades como empecilhos para eficácia do bloco.

16 de abril de 2010 | 7h 15

O grupo dos BRICs, formado por Brasil, Rússia, Índia e China, é incapaz de promover mudanças significativas no cenário mundial, afirma uma reportagem publicada na edição desta sexta-feira da revista britânica The Economist.

O texto, intitulado "O Clube dos Trilhões de Dólares", em referência ao Produto Interno Bruto (PIB) dos países, que ultrapassa os US$ 1 trilhão, afirma que a falta de coerência e a rivalidade entre as nações que compõem o bloco seriam um "obstáculo" para a eficácia do grupo, reunido em Brasília nesta semana.

A revista cita como exemplo dessa falta de coerência o fato de dois países do bloco serem autoritários e dois democráticos, e a ausência de um programa nuclear no Brasil - o único país do grupo que não é uma potência nuclear.

Mas, acima dessas características, a Economist afirma que o maior obstáculo para a coerência do BRIC seria "a rivalidade estratégica". Segundo a revista, os países cooperam apenas de maneira bilateral e a rivalidade entre Índia e China prejudica a coesão do bloco.

O texto destaca ainda a competição entre os integrantes em mercados de terceiros países e o aumento da compra de produtos exportados de países pobres, criando uma corrida que a revista compara à dos EUA e a União Soviética na Guerra Fria.

De acordo com a reportagem, "mesmo onde os BRICs concordam de maneira geral, os integrantes frequentemente discordam nos detalhes".

Nesse sentido, estariam, por exemplo, a questão das mudanças climáticas, já que a Rússia faria parte das nações industrializadas pelo Protocolo de Kyoto, com obrigações que os outros membros não possuem.

Economia

Outra grande disparidade mencionada pela revista é a natureza dos modelos econômicos dos países, sendo as de China e Rússia consideradas mais "abertas" e as de Índia e Brasil, mais fechadas.

"As divisões dos BRICs não paralisam o grupo. Os países se uniram para propor a reforma do FMI, por exemplo. Mas elas limitam a eficácia do bloco", conclui a revista.

Apesar de destacar a importância do bloco, especialmente econômica, e também o apoio dos EUA ao grupo, a Economist afirma que "os BRICs não podem reivindicar coerência legal, histórica ou geográfica, da forma como a União Europeia pode".






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