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Cabral fecha aliança com PSD, SDD e PDT

05 de fevereiro de 2014 | 19h 05
LUCIANA NUNES LEAL - Agência Estado

Com distribuição de cargos no primeiro escalão e atenção a pedidos de aliados, o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), reagiu ao rompimento do PT com o PMDB no Estado e, em menos de uma semana, fechou aliança com o PSD, o Solidariedade (SDD) e o PDT em torno da candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) a governador. Depois de cinco dias do acerto com o PDT, a filha do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, a pedagoga Clarissa Rocha Lupi, foi nomeada para a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransp).

Clarissa ocupará cargo de assistente, em função comissionada DAS-6, com salário de R$ 3 mil mensais, no gabinete do conselheiro Carlos Correia, ex-secretário-geral do PDT-RJ. Lupi nega que a nomeação da filha tenha relação com negociações políticas. "A agência é comandada por pessoas que têm mandato, que nomeiam os assessores, não tem nada a ver com o governo do Estado. Tudo vem em cima de mim", reclamou.

Em nota, a Agetransp diz que "foi criada sob forma de autarquia especial da administração indireta, com plena autonomia administrativa, técnica e financeira" e que cada conselheiro pode nomear até quatro assessores. Os conselheiros são nomeados pelo governador. O PDT já tem duas secretarias no governo Cabral e condicionou o apoio a Pezão a uma vaga na chapa majoritária. Segundo Lupi, Cabral aceitou a condição e o mais provável é que um pedetista seja o candidato a vice de Pezão.

O SDD ficou com a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, cargo que o deputado estadual Pedro Fernandes ocupará por apenas dois meses. Em abril, Fernandes deixará o governo para disputar a reeleição na Assembleia Legislativa. O PSD recebeu a Secretaria do Ambiente, entregue ao ex-deputado Indio da Costa, que ainda não decidiu se também deixará o cargo em abril para disputar um mandato eletivo. As duas pastas eram ocupadas por petistas até o fim da aliança PMDB-PT.

Tanto o SDD quanto o PDT e o PSD tinham sido procurados pelo pré-candidato do PT ao governo, Lindbergh Farias, que agora vê reduzidas as opções de aliança. "O governo tem atrativos que nós não temos, os argumentos materiais são mais sedutores que os políticos e programáticos", provoca o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá. Com adesão dos partidos à candidatura de Pezão, o PT procura avançar no diálogo com o PC do B, que lançou a pré-candidatura ao governo da deputada Jandira Feghali.

Para o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio, "neste momento prevalece o pragmatismo total". Por isso, diz, Cabral não teve dificuldades em atrair os três partidos para a candidatura de Pezão. Ismael critica o mandato relâmpago de dois meses para um secretário de Estado. "É um improviso, uma solução precária. É difícil imaginar que em dois meses se pode fazer algo. O governo usou a máquina para recompor alianças. Os partidos que chegaram vão ganhar visibilidade, estão apostando no curto prazo. Mais para frente verão se a candidatura de Pezão se tornou competitiva, o que, hoje, parece difícil", diz o professor.

Se as alianças fechadas até agora em torno de Pezão forem mantidas, o PMDB terá mais de oito minutos da propaganda de rádio e TV, enquanto o PT deverá ter em torno de quatro minutos. "É tempo mais suficiente Lindbergh fazer uma belíssima campanha. Pezão pode ter o dobro do tempo, mas Lindbergh é dez vezes melhor", diz Quaquá, que ainda acredita em mudanças até o início da campanha. "As alianças neste momento são muito voláteis, se o candidato não se viabiliza, todo mundo pula do barco", diz o presidente petista.





Tópicos: Cabral, PT, SDD, PDT

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