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Caixa terá nova estrutura de comando para abrigar PSD e aliados de Kassab

Mudança no organograma vai criar duas novas vice-presidências e dez diretorias, com distribuição de cargos para sigla do ex-prefeito, que integrará a base de Dilma e terá também um ministério

25 de janeiro de 2013 | 0h 00
Alana Rizzo e João Domingos - O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto vai aumentar o loteamento político de vagas na Caixa Econômica Federal para abrigar o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab. Além do Ministério da Micro e Pequena Empresa, prometido ao vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, o PSD deverá receber também uma vice-presidência da Caixa que está em fase final de criação, com o mesmo nome do futuro ministério.

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O novo desenho da Caixa deverá ficar pronto até o próximo mês, segundo fontes do banco. Terá duas novas vice-presidências - além da de Micro Empresa, será criada outra voltada para a habitação, que ficará sob o comando do PT - e dez novas diretorias, sendo que algumas delas também serão distribuídas a aliados de Kassab.

O PSD, oficialmente reconhecido pela Justiça Eleitoral em 27 de setembro de 2011, tem 49 deputados e dois senadores, e é tido como fundamental montagem da base aliada nos últimos dois anos do mandato da presidente Dilma Rousseff.

Palavra final. A reformulação do organograma também prevê a separação das áreas de habitação e saneamento, sendo que um setor será específico para habitação popular. A nova estrutura será submetida à presidente Dilma assim que ficar pronta.

A Caixa nega que o redesenho tenha razões políticas. Por meio da assessoria de imprensa, a Caixa informou que adotará um novo modelo de gestão para adequar o banco a seu novo perfil - mais competitivo e mais agressivo no mercado.

Segundo a Caixa, o processo está em gestação há cerca de um ano e é acompanhado pela maior consultoria de inteligência empresarial que existe no Brasil, a McKinsey. O novo modelo é para atender questões de ordem técnica de interesse do banco, afirma.

Compensações. Para compensar o PT por ceder lugares ao PSD no comando da Caixa, há hoje um movimento para fortalecer os nomes ligados à sigla dentro do banco: José Urbano, vice-presidente de Governo e Habitação; Marcos Vasconcelos, vice-presidente de Gestão de Ativos e Terceiros; e Márcio Percival Alves Pinto, vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais.

A reformulação estudada nos bastidores está gerando profundo mal-estar entre os dirigentes da instituição e entre os partidos que já dividem as fatias do comando da estatal.

O PMDB, que tem dois vice-presidentes - Geddel Vieira Lima, de Pessoa Jurídica, e Fábio Cleto, de Fundos de Governo e Loterias - deverá perder poder. A vice-presidência de Micro e Pequenas Empresas, que será destinada ao partido de Kassab, surgirá com o desmembramento do setor que é dirigido por Geddel Vieira Lima.

As obras físicas para abrigar a nova vice-presidência já estão prontas no edifício-sede da Caixa, na parte central de Brasília.
O loteamento da Caixa tem servido para saciar a sede dos partidos aliados por cargos, mas também alimenta a disputa entre eles. Há pouco mais de um ano a presidente Dilma cogitou demitir Fábio Cleto depois de receber informações de outros dirigentes de que ele vinha alimentando uma rede de intrigas dentro da instituição. Cleto foi indicado pelo deputado Eduardo Cunha (RJ), favorito para assumir a liderança do PMDB na Câmara. A presidente não tem boa relação política com Eduardo Cunha. Cleto só não foi demitido porque a cúpula do PMDB agiu para segurá-lo no cargo.

Controle petista. Historicamente a Caixa tem sido controlada pelo PT. De 1993 a 2002, o atual presidente da instituição,Jorge Hereda, foi secretário de gestões petistas em Diadema e Ribeirão Pires e também presidente da Companhia de Habitação de São Paulo (Cohab). Com a eleição de Lula em 2002, Hereda mudou-se para Brasília e ocupou a Secretaria de Habitação do Ministério das Cidades até 2005. Em seguida, foi para a vice-presidência de Governo da Caixa.




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