Censura aos áudios na internet é inócua, diz professor
Para Rosental Calmon Alves, ação é uma amostra de que parte do Judiciário vive no passado
O professor da Universidade do Texas e diretor do Knight Center para o Jornalismo nas Américas, Rosental Calmon Alves, um dos expoentes do jornalismo brasileiro no exterior, anotou que a censura ao Estado, em decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, é o "retrocesso em uma democracia em construção".

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Para Calmon Alves, especialista em liberdade de expressão na América Latina, a ação, que prevê a retirada de áudios contendo irregularidades do clã Sarney, é uma amostra de que parte do Judiciário vive no passado. "Está difícil das autoridades judiciais brasileiras entenderem, tanto que algumas vezes caíram no ridículo de tentar bloquear o YouTube, o que acaba virando piada", destacou. Veja a entrevista completa.
Como vê a decisão?
Achei a decisão absurda, inconstitucional, porque a Constituição não fala de nenhuma sanção para censura prévia. Os jornais devem ser responsáveis a posteriori e não previamente em relação a nenhuma informação que possa ser usada. À distância posso ver que existe um óbvio interesse público em saber o conteúdo dessas gravações. E o interesse público deveria estar por cima de qualquer outra razão alegada para impedir a publicação das gravações.
O que mais o impressionou?
O que mais me impressionou nesse episódio, além do retrocesso que isso significa em termos de volta da censura ao Brasil em pleno regime democrático, foi a reação do jornal na internet. Rapidamente investigou quem era o juiz que deu a decisão, mostrou a ligação dele com a família Sarney. Fiquei muito impressionado com isso porque naquele momento, em que a decisão foi anunciada, eu estava online, vendo as notícias, e fiquei muito orgulhoso do jornalismo brasileiro, e sobretudo do Estadão de manter essa tradição de um jornal que resiste à censura. No mundo inteiro o Estadão é conhecido pelo episódio dos poemas de Camões e das receitas de bolo. Acho que essa reação foi digna da tradição do Estadão.
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