Centrais gastam R$ 800 mil do imposto sindical para pedir voto contra Serra
Valor foi usado para pagar evento realizado ontem no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, com objetivo de aprovar Agenda da Classe Trabalhadora e pregar a continuidade do governo Lula; das 30 mil pessoas esperadas, apenas metade compareceu
Cinco centrais sindicais - Força, CUT, CGTB, CTB e Nova Central - pregaram na terça-feira, 1º, na assembleia da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Paulo, a continuidade do governo Lula e alertaram para um "retrocesso", em clara referência ao pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.
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O evento, pago pelo imposto sindical, que desconta um dia de salário ao ano de todos os trabalhadores com carteira assinada, custou pelo menos R$ 800 mil, segundo o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical.
O objetivo, cumprido, era o de aprovar a Agenda da Classe Trabalhadora, que será entregue aos três presidenciáveis. São quase 300 demandas a serem cumpridas pelo vencedor das eleições.
Ao todo, R$ 135 mil foram empenhados para o aluguel do Estádio do Pacaembu e R$ 35 mil para o pagamento da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo para coordenar o trânsito. O restante - R$ 630 mil - foi para a infraestrutura, como palco, som e transporte de militantes.
De acordo com o deputado, somente a Força Sindical pagou 500 passagens de avião para dirigentes virem das regiões Norte e Nordeste do País. As demais centrais também admitiram ter pago por transporte aéreo. A CUT disse que não divulgaria dados e valores de logística.
Mesmo com o investimento pesado das centrais para um megaevento, o público foi apenas a metade do esperado. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil compareceram, metade dos 30 mil esperados.
A reserva inicial, de acordo com as centrais, era de 13 mil lugares para militantes da CUT e 11 mil para os da Força. Os demais seriam divididos em blocos menores entre as outras três centrais. No entanto, o Pacaembu teve uma manhã e um início de tarde com muitos lugares vazios.
Microfone aberto. Os militantes e dirigentes sindicais, vindos de todos os Estados do País, receberam lanches na porta do estádio e ouviram dezenas de discursos de sindicalistas - a maioria para evitar o "retrocesso", alguns citando nominalmente a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros em defesa aberta da pré-candidata petista Dilma Rousseff.
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