Cerca de 72 mil aderem à petição que critica Bolsonaro

Quase 72 mil pessoas tinham assinado até a noite de hoje a petição intitulada "Proteja o Brasil do Bolsonaro". Espalhado via redes sociais, o documento informa que 250 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2010 por serem gays e classifica de "racistas e homofóbicas" recentes declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O objetivo é mobilizar a sociedade para pedir a aprovação da lei anti-homofobia (PLC 122/2006).

FELIPE WERNECK, Agência Estado

05 Abril 2011 | 19h33

A petição será entregue a parlamentares durante manifestação em Brasília. "Face ao crescimento dramático dos ataques e assassinatos de cidadãs e cidadãos LGBT brasileiros, precisamos de seu apoio imediato para aprovar a lei anti-homofobia (PLC 122/2006), assegurando a todos e todas as brasileiras e brasileiros a proteção igualitária perante a lei", prossegue o texto do documento, que cita a presidente Dilma Rousseff.

Para os autores da petição, as ideias do deputado "não são uma questão de opinião pessoal, elas são perigosas". "Enquanto já existem leis para proteger outras formas de discriminação, pessoas LGBT não têm nenhuma proteção legal. Vamos erguer nossas vozes mais alto que o Bolsonaro e mostrar que os brasileiros apoiam a lei anti-homofobia. Assine a petição agora." O texto está disponível no site http://www.avaaz.org/po/homofobia_nao/.

Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), a mobilização popular pela Lei da Ficha Limpa é um exemplo do que pode ocorrer agora com o projeto anti-homofobia, parado na Casa, principalmente por ação da bancada evangélica. "Nesse sentido, o deputado, com sua postura de ódio, retrógrada, presta um serviço. Pela estupidez, trouxe luz. A celeuma pode estimular a votação".

No início da noite de hoje, houve manifestação contra Bolsonaro na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro. Cerca de 100 pessoas haviam chegado até as 18h30. O presidente do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT do Rio, Claudio Nascimento, defendeu a cassação do mandato do deputado, classificado por ele de "Bolsonazi". "Há uma confusão na sociedade de direito à opinião com incitação à violência. Sou negro e gay com muito orgulho. O Bolsonaro é o grande lixo humano, o que ele representa como projeto político precisa ser repudiado", discursou.

O deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho do parlamentar, afirmou que o pai tem opinião "polêmica que vai contra o politicamente correto", mas "não é racista". Segundo Flávio, houve um "mal entendido" ou "equívoco" na resposta à pergunta de Preta Gil. "Ser contra a apologia ao homossexualismo é ser homofóbico? É claro que não. O que ele cansa de expressar é que não teria orgulho de ter um filho gay", disse o filho de Bolsonaro.

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