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Cesare Battisti fecha contrato para lançar novo livro

Boa parte do texto, gravado em um notebook, só foi liberado no início do ano pela Polícia Federal

06 de novembro de 2009 | 11h 42
Roberto Almeida, da Agência Estado

Cesare Battisti, ex-ativista italiano que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua extradição, assinou na última quinta-feira, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o contrato para a edição do segundo livro de sua trilogia autobiográfica. Até o fim do ano, deve chegar às livrarias 'Ser Bambu', pela editora Martins Fontes, um relato do ex-ativista clandestino pelas ruas do Rio de Janeiro.

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Battisti escreveu o livro de forma atribulada, contou Evandro Martins Fontes, que foi pessoalmente até a penitenciária levar o contrato ao ex-ativista. Boa parte do texto, gravado em um notebook, só foi liberado no início do ano pela Polícia Federal. O restante, entregue à editora em disquete por uma fonte anônima.Foi preciso juntar o quebra-cabeças para iniciar a edição. "Ele não ficava mais de uma semana com um aparelho celular. Ele se desfez de computadores e laptops que teve nesse período, por medo de ser monitorado", disse Martins Fontes.

O livro é uma continuação de Minha Fuga Sem Fim, editado também pela Martins Fontes em 2007, logo após a prisão de Battisti. O texto relata a época em que o ex-ativista era membro do Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo de extrema esquerda que operou na Itália nos anos 1970, seu desentendimento com seu ex-companheiro e delator Pietro Mutti e a fuga para a França.

'Ser Bambu', de acordo com Martins Fontes, é uma metáfora para a situação de Battisti. "No começo do livro ele diz: `se houver a reencarnação, gostaria de voltar como bambu, que não se quebra e se reergue para ver lá de cima os escombros de outras árvores que partiram."

O ex-ativista está terminando de escrever ainda seu terceiro relato, 'Ao Pé do Muro', sobre o período em que passa na prisão. O julgamento de Battisti será retomado no STF no dia 12 de novembro. A análise da ação tinha 4 votos a favor e 3 contrários quando foi interrompida por pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello.

Condenado à prisão perpétua em 1993 acusado de quatro assassinatos, Battisti passou 28 anos exilado na França e no México antes de se refugiar no Brasil. Foi preso em 2007.




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