Cesare Battisti fecha contrato para lançar novo livro
Boa parte do texto, gravado em um notebook, só foi liberado no início do ano pela Polícia Federal
Cesare Battisti, ex-ativista italiano que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre sua extradição, assinou na última quinta-feira, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, o contrato para a edição do segundo livro de sua trilogia autobiográfica. Até o fim do ano, deve chegar às livrarias 'Ser Bambu', pela editora Martins Fontes, um relato do ex-ativista clandestino pelas ruas do Rio de Janeiro.
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Battisti escreveu o livro de forma atribulada, contou Evandro Martins Fontes, que foi pessoalmente até a penitenciária levar o contrato ao ex-ativista. Boa parte do texto, gravado em um notebook, só foi liberado no início do ano pela Polícia Federal. O restante, entregue à editora em disquete por uma fonte anônima.Foi preciso juntar o quebra-cabeças para iniciar a edição. "Ele não ficava mais de uma semana com um aparelho celular. Ele se desfez de computadores e laptops que teve nesse período, por medo de ser monitorado", disse Martins Fontes.
O livro é uma continuação de Minha Fuga Sem Fim, editado também pela Martins Fontes em 2007, logo após a prisão de Battisti. O texto relata a época em que o ex-ativista era membro do Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), grupo de extrema esquerda que operou na Itália nos anos 1970, seu desentendimento com seu ex-companheiro e delator Pietro Mutti e a fuga para a França.
'Ser Bambu', de acordo com Martins Fontes, é uma metáfora para a situação de Battisti. "No começo do livro ele diz: `se houver a reencarnação, gostaria de voltar como bambu, que não se quebra e se reergue para ver lá de cima os escombros de outras árvores que partiram."
O ex-ativista está terminando de escrever ainda seu terceiro relato, 'Ao Pé do Muro', sobre o período em que passa na prisão. O julgamento de Battisti será retomado no STF no dia 12 de novembro. A análise da ação tinha 4 votos a favor e 3 contrários quando foi interrompida por pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello.
Condenado à prisão perpétua em 1993 acusado de quatro assassinatos, Battisti passou 28 anos exilado na França e no México antes de se refugiar no Brasil. Foi preso em 2007.
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