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Com ato secreto, senador põe espião no Conselho de Ética

Assessor secreto admite que tinha função de 'olheiro' de Magno Malta, investigado e ameaçado de cassação

20 de junho de 2009 | 17h 21
Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

O Conselho de Ética do Senado, responsável por investigar a quebra de decoro parlamentar, fez parte do esquema de atos secretos da Casa. Usando um boletim sigiloso, o senador Magno Malta (PR-ES) plantou um assessor no conselho durante a análise do processo de cassação de seu mandato - Malta foi absolvido.

Malta: boletim só foi registrado após três anos e meio - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Malta: boletim só foi registrado após três anos e meio

O funcionário nomeado era uma espécie de assessor secreto que não despertou qualquer atenção no período. O detalhe: o assessor era o segundo suplente do próprio senador. Ao concorrer a uma vaga no Senado, o candidato escolhe seus suplentes, que geralmente são aliados políticos.

O pastor evangélico Nilis Castberg foi nomeado em 23 de novembro de 2005 como assistente parlamentar do Conselho de Ética com salário de R$ 2,3 mil. O ato só foi tornado público três anos e meio depois, através de um arquivo criado no dia 14 de maio passado, mas com a data original da nomeação (2005). O documento é assinado pelo então diretor-geral, Agaciel Maia.

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Em entrevista gravada ao Estado, concedida na tarde de sexta-feira, 19, Castberg contou que trabalhou um ano e meio no Conselho de Ética. "O senador me disse: ‘Você tem que trabalhar no conselho, onde estão contratando’. Foi um período em que o conselho esteve muito tumultuado, naquele tempo dos sanguessugas", disse. "Eu fazia de tudo, carregava papel, dava assistência ao pessoal, essas coisas".

À época, Malta sofreu um processo no Conselho de Ética para investigar seu suposto envolvimento na Máfia dos Sanguessugas, esquema de venda de ambulâncias superfaturadas às prefeituras com emendas parlamentares para favorecer a empresa Planam, do empresário Luiz Antônio Vedoin. O presidente do Conselho de Ética era o senador João Alberto (PMDB-MA), hoje vice governador do Maranhão e afilhado político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Em agosto de 2006, foi aberto um processo contra Magno Malta sob a acusação de que recebera um carro da empresa para viajar com sua banda gospel "Tempero do Mundo" em troca da promessa de apresentar uma emenda no valor de R$ 1 milhão a favor da Planam. Em depoimento ao Conselho de Ética, Darci Vedoin, pai de Luiz Antônio, confirmou ter encontrado o senador para discutir o assunto. O que ninguém sabia era que, naquele período, um suplente do senador "assessorava" secretamente o conselho.

Dupla função

Na conversa com o Estado, Castberg revelou a condição da dupla função que exercia, trabalhando simultaneamente no conselho, como "olheiro" do processo, e no gabinete de Malta. "Cumpria expediente no conselho às terças, quartas e quintas. Às segundas e sextas, eu ficava à disposição do gabinete."




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