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Comissão acompanhará inquérito sobre morte de repórter

18 de março de 2013 | 18h 25
MARCELO PORTELA - Agência Estado

A suspeita do envolvimento de um grupo de extermínio no assassinato do jornalista Rodrigo Neto de Faria, de 38 anos, levará nesta terça-feira (19) a Ipatinga (MG) uma comissão formada por parlamentares, colegas de profissão, representantes de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário. O objetivo, de acordo com a assessoria de Maria do Rosário, é "acompanhar de perto" as investigações e cobrar agilidade na apuração do crime, cuja principal suspeita é de que esteja ligado às denúncias feitas por Faria em programa de rádio e reportagens que publicou em periódicos da cidade no Vale do Aço de Minas Gerais.

A visita de fiscalização foi pedida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas porque, segundo o presidente da Casa, Durval Ângelo (PT), o sigilo decretado nas investigações "beneficia os criminosos". "Esse sigilo é uma afronta à democracia. Tudo leva a crer que o crime foi em função das denúncias que o Rodrigo fez durante nove anos e que não foram apuradas", avaliou.

O jornalista era conhecido por denunciar crimes envolvendo policiais, até mesmo com grupo de extermínio, e cobrava, constantemente, a apuração dos casos em que havia suspeita de participação de integrantes das Polícias Civil ou Militar mineiras. Conforme Ângelo, Faria também tinha a intenção de lançar um livro relatando os crimes não apurados. Por causa da atuação, ele havia recebido ameaças de morte, denunciadas ao Ministério Público Estadual (MPE) em 29 de novembro de 2001 e em 7 de fevereiro de 2012, mas que nunca foram investigadas. Faria foi executado com três tiros no dia 8, ao deixar um bar onde estava com amigos. Ao entrar no carro, Faria foi surpreendido por dois homens numa moto, que fugiram sem ser identificados.

O caso começou a ser apurado pela delegacia local, mas o inquérito foi transferido para as mãos do delegado Emerson Morais, de Belo Horizonte, enviado a Ipatinga com uma equipe de agentes por determinação do chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Estado, delegado Wagner Pinto. De acordo com Pinto, o trabalho de apuração teve início na manhã de sábado (16) e foram adotadas medidas que ele diz não poder revelar. O chefe do DHPP da Polícia Civil de Minas Gerais afirma que o sigilo é necessário "para não prejudicar o sucesso dos trabalhos".

De acordo com Pinto, há "muitos suspeitos", além de policiais porque Faria era "um repórter investigativo muito pró-ativo". "Há denúncias de outros atritos pessoas por causa de denúncias que ele (jornalista) fez, não só contra policiais. A gente está apurando o fato. A própria investigação é que vai apontar os suspeitos", disse. A comissão se reunirá à tarde com Emerson Morais e com o chefe do Departamento de Polícia Civil de Ipatinga, delegado José Walter Mota. Do encontro, devem participar também representantes do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e do MPE.




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