CPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHC
Chefe do gabinete de Lula diz que comissão receberá 'carreta carregada de papel' e prevê problemas
O Palácio do Planalto começa a enviar nesta semana os primeiros lotes da "carreta" de papéis pedidos pela CPI dos Cartões Corporativos. Em entrevista ao Estado, Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente, ressalta que o envio de documentos de ministros atuais ou do governo passado para o Congresso não é uma "conspiração" ou "estratégia do Planalto contra a oposição, mas uma determinação da CPI. Diz que eventuais atingidos pelos documentos devem arcar com suas "responsabilidades". "É muito provável que apareça coisa errada. O instrumento é falho e isto é do ser humano", avisa. Veja também: Documento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' Planalto vai tirar Dilma da 'vitrine eleitoral' para 2010 Dilma defende braço direito e descarta demissão de Erenice Dossiê contra FHC foi decisão de governo 'Candidatura de Dilma em 2010 está morta', diz analista Briga entre FHC e Lula antecipa debate sobre sucessão Os ministros caídos Entenda a crise dos cartões corporativos IMAGENS: Os momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula Não é tão extraordinário que erros administrativos sejam agora identificados. "Carvalho defende serenidade nas investigações. Ele relata que no governo há um esforço para atender aos pedidos da CPI e responder, com respeito, as acusações da oposição. O assessor do Planalto avalia que a análise dos dados deve ser feita com seriedade, sem animosidade de qualquer lado, para não prejudicar o País. "Assim como aconteceu com o Orlando (Silva, dos Esportes) e a Matilde (Ribeiro, da Igualdade Racial), é possível que haja problemas com ministros atuais e passados", diz. A existência de um dossiê sobre os gastos no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi divulgada pela revista Veja, no último dia 22 . No final da semana passada, o quadro agravou-se com a notícia de que os detalhes das despesas de FHC e da ex-primeira dama Ruth Cardoso partiram de dentro da Casa Civil, numa decisão de governo. A secretária-executiva e braço direito da ministra Dilma Rousseff, Erenice Guerra, é suspeita de articular a produção dos papéis. Ele afirma que o governo não responderá a "fatos políticos". Questiona, especialmente, declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que desafiou a abertura de todos os sigilos. "O presidente Fernando Henrique sabe que há uma lei, do governo dele, que protege alguns dados por questão de segurança, o que estamos fazendo é obedecer a lei", observa. "Isso (desafio) é jogada política e superficial de quem não tem projeto", completa. "É fácil para FHC falar em tornar públicas suas despesas porque ele já passou pelo governo; nós temos responsabilidade e não vamos reagir a um fato político." O assessor salienta a importância da questão da segurança. "Para nós o que pesa são as questões de segurança. A nós não interessa informar em que açougue o presidente compra carne, nem qual mercearia é feita a compra para as visitas. Às vezes me dá a impressão de que todo este barulho da oposição é para fazer uma cortina de fumaça sobre outros dados que agora serão revelados, que não são sigilosos", afirma. Sobre os dados protegidos por sigilo, pondera: "Amanhã ou depois, pode ser até que a gente chegue a um acordo com o Congresso, permitindo que se faça o exame desses papéis". O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, afirmou no fim de semana que o governo não deve revidar. Ele afirmou que, se o governo de fato quisesse produzir dossiês contra o governo anterior, o teria feito há muito tempo, com as informações de que dispõe de forma legítima em arquivos mortos do Planalto. "Se o governo estivesse preocupado em montar dossiês, tendo em vista que ele dispõe das informações - as informações estão lá, nos chamados arquivos mortos - podia montar. Não é que não o fez porque não achou nada. Não o fez porque não era a questão fundamental. Não tem esse aspecto de vendeta", declarou o assessor da Presidência da República. (Colaborou Clarissa Oliveira, de O Estado de S. Paulo)
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