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Criminoso da ditadura não pode ter cargo público, diz ministra

Para Maria do Rosário, quem se envolveu com torturas e assassinatos ‘traiu qualquer princípio ético de dignidade’

15 de março de 2013 | 23h 30
Roldão Arruda - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse nesta sexta-feira, 15, em São Paulo que pessoas envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimento forçado no período da ditadura militar não devem ocupar funções públicas. Ela fez a afirmação ao responder a uma pergunta sobre as denúncias de que o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, teria contribuído para a morte do jornalista Vladimir Herzog.

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"Eu penso que todas as pessoas que comprovadamente estiveram envolvidas em situação de morte, tortura e desaparecimentos forçados não devem ocupar funções públicas no País", afirmou. "Porque os que cometeram - e se cometeram comprovadamente estes atos -, traíram qualquer princípio ético de dignidade humana e não devem ocupar funções de representação."

A ministra não citou o nome de Marin e fez questão de enfatizar que as denúncias precisam ser comprovadas. Ela esteve em São Paulo para participar da cerimônia realizada na USP para homenagear o estudante Alexandre Vannuchi Leme, morto sob tortura em 1973, e também para entregar oficialmente à família do jornalista Vladimir Herzog, também morto sob tortura, em 1975, o novo atestado de óbito.

A viúva de Herzog, Clarice, também falou na ocasião sobre a polêmica em torno de Marin. Lembrou que, pouco antes de Vladimir assumir seu cargo na TV Cultura, em 1975, o jornalista Claudio Marques, que assinava uma coluna num jornal semanal de São Paulo, escreveu que aquele emissora estava sendo tomada por comunistas.

Coro. Logo em seguida, na Assembleia Legislativa, em São Paulo, o deputado Wadih Helu repercutiu e apoiou a denúncia do colunista. Na mesma ocasião, Marin cobrou explicações das autoridades sobre as denúncias, que estariam gerando "intranquilidade" nas famílias. Pouco dias depois, Herzog, que era filiado ao Partido Comunista, foi preso e assassinado.

"Houve um coro, com o Wadih Helu e o Marin", lembrou Clarice, referindo-se ao episódio. "Tinha um pessoal que estava no poder e era absolutamente reacionário, a favor da tortura."

Circula atualmente na internet uma petição, que deve ser entregue à direção da CBF, cobrando o afastamento de Marin da presidência da entidade. Ela foi lançada por Ivo Herzog, filho do jornalista, que deverá ir à sede da CBF, no Rio, assim que coletar 50 mil assinaturas.

Ainda na cerimônia desta sexta, a ministra Maria do Rosário afirmou que o Estado brasileiro ainda deve explicações às famílias dos mortos e desaparecidos no período da ditadura. "Devemos produzir respostas que sejam coerentes, justas", afirmou. Para ela, a democracia no País vai se sentir envergonhada enquanto "todas as respostas não forem oferecidas às famílias".

A cerimônia desta sexta, na USP, para homenagear Vladimir Herzog e Alexandre Vannuchi Leme, reuniu representantes dos governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff




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