ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Você está em Notícias > Política

Cuba perde seu maior parceiro desde a URSS

Venezuela exporta por dia até 115 mil barris de petróleo subsidiado para a ilha, que teme uma crise como a do fim da Guerra Fria

06 de março de 2013 | 7h 12
Guilherme Russo - O Estado de S.Paulo

A Venezuela é a maior parceira de Cuba, com laços socioeconômicos que incluem a venda facilitada para a ilha de até 115 mil barris de petróleo por dia em troca de colaboração nas áreas de saúde pública, pesquisa e esporte. Desde 1999, quando Hugo Chávez assumiu a presidência, Caracas tem substituído a ajuda que uma vez a União Soviética proveu ao regime castrista, após o governo cubano alinhar-se ao Kremlin, em 1961.

Estima-se que o chavismo gaste uma média de US$ 3,5 bilhões anualmente em Cuba. Em 2010, segundo dados oficiais de Havana, o comércio entre os países movimentou US$ 6 bilhões, com a balança comercial favorável a Caracas, que exportou US$ 4,3 bilhões para Cuba e comprou da ilha US$ 1,7 milhão.

Em 2012, os países anunciaram uma cooperação na ordem de US$ 1,6 bilhão, que incluiu 47 projetos em áreas como educação, agricultura, saúde e esporte - além de financiamento para empresas binacionais.

Analistas costumam dividir opiniões sobre o futuro de Cuba sem o chavismo para subsidiar o socialismo instaurado por Fidel Castro. Para alguns, sem a ajuda da Venezuela, os cubanos passariam por um novo "período especial" - eufemismo usado para denominar a profunda recessão provocada pela ausência da ajuda soviética, que fez desaparecer 85% da receita externa cubana na década de 90 e piorou significativamente o padrão de vida da população da ilha. Sem o dinheiro de Moscou, o Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba caiu 38% entre 1990 e 1993.

Entre 2005 e 2010, o chavismo gastou pelo menos US$ 34 bilhões com Havana. "A centralização do poder que Chávez exerceu em seu país faz com que sua morte represente um perigo muito grande para Cuba", diz o economista Oscar Espinosa Chepe, que integrou o Partido Comunista Cubano por quase 20 anos, antes de passar para a dissidência. "A ausência da ajuda de Caracas levará a situação social de Cuba a um estado de caos."

Espinosa explica que "a ajuda da Venezuela é fundamental" para a manutenção do socialismo cubano.

"Até a década de 90, ainda tínhamos a indústria açucareira, mas até isso se perdeu. Agora, somos uma economia totalmente parasitária."

Em outubro de 2000, os governos de Caracas e Havana firmaram o chamado Convênio Integral de Cooperação, que, num primeiro momento, determinou a exportação de 53 mil barris de petróleo por dia da Venezuela para Cuba com o pagamento facilitado. Em 2005, o número de barris importados por Cuba diariamente foi para 90 mil.

A contrapartida do regime castrista veio na forma do envio de 40 mil médicos para os programas de saúde pública chavistas. Cuba ainda oferece agentes de segurança ao chavismo, que cuidam das autoridades mais importantes do governo de Caracas, além de colaborar com as Forças Armadas venezuelanas, principalmente no setor de inteligência do regime. Em dezembro de 2004, Hugo Chávez e Fidel Castro assinaram uma declaração conjunta contra o neoliberalismo, que os líderes qualificaram como "um mecanismo para aumentar a dependência e a dominação estrangeira".

"A Venezuela constitui hoje para Cuba o que a União Soviética foi por muitos anos. Mas, se a ajuda (de Caracas) cessar neste momento, as consequências serão muito piores, pois a infraestrutura cubana está em piores condições agora", diz Espinosa. O economista afirma que "a indústria de Cuba está produzindo, em termos de volume, menos da metade do que produzia em 1989". "O transporte também está em colapso. A agricultura importa 80% dos alimentos."

Diante de uma eventual retirada da ajuda venezuelana, Espinosa alerta para uma possível repetição da crise energética ocorrida durante o período especial, quando, além da escassez de produtos básicos, os cubanos enfrentavam apagões de até 16 horas diariamente. "Como Cuba poderia pagar preços do mercado internacional pelos 100 mil barris de petróleos diários (que importa da Venezuela)?", questiona, explicando que o combustível serve às usinas termoelétricas e aos geradores menores que produzem energia para os cubanos.

Capitalismo. Outros especialistas consideram que a ausência dos subsídios de Caracas estimularia o presidente Raúl Castro a aprofundar as reformas que ele tem aplicado em seu país desde 2010, com a intenção de "modernizar" a economia e a sociedade cubanas para aproximá-las do livre mercado. "Várias outras nações pretendem investir ou ampliar seus investimentos em Cuba. O governo (de Havana) terá de acelerar as medidas de abertura se a Venezuela retirar a sua ajuda. Se o regime cubano der garantias aos investidores de que não voltará atrás nessas mudanças, o país poderá até obter um crescimento econômico real", diz o economista venezuelano Robert Bottome.

O analista afirma, porém, que no curto prazo nenhuma alteração radical na relação entre os países deverá ocorrer, pois, antes de partir para sua última cirurgia contra o câncer em Havana, Chávez indicou Nicolás Maduro para suceder-lhe.





Tópicos: Hugo Chávez, Venezuela

Estadão PME - Links patrocinados

Anuncie aqui

Siga o @EstadaoPolitica no Twitter

Presidente da Câmara encerra sessão da MP dos Portos

  • Presidente da Câmara encerra sessão da MP dos Portos
  • Dilma volta a pedir aprovação da MP dos Portos
  • "Crise só será superada com políticas de crescimento inclusivo e competitividade", diz Dilma

Fechar

Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.

Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.

Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastrado
SOU ASSINANTE - ACESSO
Esqueci minha senha
JÁ SOU CADASTRADO

Utilize os mesmos login e senha já cadastrados anteriormente no Estadão.

Esqueci minha senha
QUERO CRIAR MEU LOGIN

Se você é assinante do Jornal impresso, preencha os dados abaixo e cadastre-se para criar seu login e senha.

ESQUECI MINHA SENHA

QUERO ME CADASTRAR

Cadastre-se já e tenha acesso total ao conteúdo do site do Estadão. Seus dados serão guardados com total segurança e sigilo.

CADASTRO REALIZADO

Em instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.


Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.

QUERO ME CADASTRAR

Estamos atualizando nosso cadastro, por favor confirme os dados abaixo.