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Cúpula petista faz mea culpa e vê erro de avaliação sobre ascensão de Marina

Comando da campanha acredita que polêmica sobre aborto reforçou migração de votos de Dilma para adversária

04 de outubro de 2010 | 8h 26
Vera Rosa e Tânia Monteiro

BRASÍLIA - O comando da campanha de Dilma Rousseff à Presidência vai procurar nesta semana a candidata derrotada do PV, Marina Silva, para lhe pedir apoio à petista, que enfrentará José Serra (PSDB) no segundo turno da disputa. O surpreendente índice de intenção de voto de Marina foi analisado ontem em reunião no Palácio da Alvorada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma, ministros e coordenadores da campanha.

Dilma fez pronunciamento após a divulgação do resultado - Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE
Dilma fez pronunciamento após a divulgação do resultado

Convocado para acompanhar a apuração dos votos, o encontro também serviu para um mea-culpa. No diagnóstico dos petistas, a equipe cometeu um erro de avaliação ao considerar que Marina tirava votos de Serra, e não de Dilma. Além disso, Lula observou que Dilma demorou muito para reagir quando surgiram rumores de que ela defendia a legalização do aborto.

Na avaliação do governo e da cúpula da campanha, votos de evangélicos e católicos migraram para Marina por causa da questão do aborto. No último dia 29, preocupada com a sangria, Dilma se reuniu com líderes religiosos, em Brasília, e garantiu que nunca defendeu a interrupção da gravidez.

"Nós deveríamos ter feito essa reunião antes", admitiu Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. "Subestimamos os boatos." Além da polêmica sobre o aborto, coordenadores da campanha observaram que as denúncias de tráfico de influência na Casa Civil, que culminaram com a queda da ministra Erenice Guerra, também contribuíram para desidratar Dilma.

Lula ficou surpreso com o resultado das urnas, mas procurou tranquilizar Dilma. "Eu também já passei por vários segundos turnos. É da vida", disse ele, segundo relato de dois ministros presentes à reunião no Alvorada. Pesquisas em poder do comitê petista, no entanto, indicavam que Dilma venceria a disputa no primeiro turno com uma diferença de 14 milhões de votos em relação a Serra.

O assédio a Marina será feito pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, amigo da senadora há longa data. O governador eleito do Acre, Tião Viana, e o senador eleito, Jorge Viana, ambos do PT, também foram escalados para convencê-la a apoiar Dilma. Por enquanto não será oferecido qualquer ministério para a candidata do PV.

"Precisamos ver o que ela quer. Não acreditamos que seja ministério", afirmou um auxiliar de Lula. Embora o presidente do PV, José Luiz Penna, tenha dito que os verdes devem avalizar a candidatura de Serra, Dutra não acredita em posição unificada do partido e fará um apelo pessoal a Marina, que foi filiada ao PT durante 30 anos e comandou o Ministério do Meio Ambiente de janeiro de 2003 a maio de 2008.

Dutra quer acertar uma conversa entre Marina e Dilma, mas, antes, pretende fazer o meio de campo da aproximação. No governo Lula, as duas protagonizaram vários contenciosos. Gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Dilma defendia agilidade na concessão de licenciamentos ambientais, mas Marina pregava cautela nesses procedimentos. Não foram raras as ocasiões em que a chefe da Casa Civil perdeu a paciência com a então ministra Marina.

O PV é aliado ao PSDB de Serra nos três maiores colégios eleitorais do País (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro). Mesmo assim, as declarações de Penna, antecipando apoio ao tucano, provocaram mal-estar no partido. Na prática, o PV está dividido e há posição para todos os gostos, desde a neutralidade até a liberação do voto.

Na tentativa de mostrar apoio a Dilma, governadores, senadores e deputados da base aliada eleitos ontem devem se reunir hoje com Lula e com a candidata. A intenção é montar um movimento pró-Dilma para angariar novas adesões.






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