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De Sanctis quis desmoralizar o Supremo, diz Gilmar Mendes

Para presidente do STF, Justiça de SP tentou desmoralizar Corte ao mandar prender Dantas após habeas corpus

24 de março de 2009 | 11h 47
Da Redação

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou nesta terça-feira, 24, em sabatina do jornal Folha de S. Paulo que houve uma tentativa da Justiça de São Paulo, em especial do juiz Fausto De Sanctis, de desmoralizar o Supremo. Segundo ele, isso aconteceu quando a Justiça paulista decretou a segunda prisão do banqueiro Daniel Dantas, no âmbito da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, após a concessão de habeas corpus pelo STF.

Gilmar Mendes, presidente do STF - Marcos D' Paula/AE
Marcos D' Paula/AE
Gilmar Mendes, presidente do STF

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"O objetivo (da prisão) era único, era desmoralizar o Supremo Tribunal Federal", disse Mendes. "Às 23h30, eu concedo o habeas corpus. O preso é comunicado pela manhã, às 9h. E é chamado para depor novamente." Segundo ele, se a tentativa tivesse funcionado, "hoje o juiz Supremo seria o De Sanctis". O presidente do STF afirmou que houve uma reunião de juízes em que estes intimidaram os desembargadores a não conceder habeas corpus.

Ele criticou ainda a participação do Ministério Público nas ações da Polícia Federal. "Temos detectado combinação de ações...como na Operação Satiagraha. Polícia, Ministério Público, juiz... quem é que controla nessa situação?", questionou.

O presidente do STF se negou a dar sua opinião sobre o delegado Protógenes Queiroz, afastado da Operação Satiagraha, mas criticou Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e que antes esteve no comando da Polícia Federal. "Não foi um bom diretor da PF. Por conta deste estado de coisas, tivemos o risco de ter um estado policial no Brasil", afirmou.

MST

Mendes negou favorecimento aos ricos ao conceder habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas e desfavorecimento dos pobres ao condenar a ação do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem-terra (MST), que resultou na morte de quatro seguranças de uma fazenda em Pernambuco.




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