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Declarações de Lula geram constrangimentos na base

Aliados do governo mostraram opinião oposta a de presidente que criticou greve de fome de dissidentes

10 de março de 2010 | 20h 12
DENISE MADUEÑO E VANNILDO MENDES - Agencia Estado

A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou os presos políticos cubanos a criminosos comuns de São Paulo, em entrevista à Associated Press, irritou parlamentares e deixou de saia justa até a base aliada do governo no Congresso, incluindo membros do seu próprio partido, o PT. Entre os mais constrangidos estão os que sofreram prisão política na ditadura militar.

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Nesta quarta-feira, 8, foram registrados novos protestos da oposição contra o presidente e poucos levantaram a voz em sua defesa.

Com ar de incredulidade, o deputado José Genoino (PT-SP), preso político da guerrilha do Araguaia (1971-1974), disse que não entraria no mérito da declaração por não ter entendido o contexto, mas demonstrou postura radicalmente oposta em relação ao caso: "o que posso dizer é que, por princípio, sou contra prisões por razões políticas", disse.

Militante histórico da esquerda e defensor ardoroso da revolução cubana, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) também tem reservas à atitude de Lula. "Ele perdeu a chance de jogar luz sobre a situação dessas pessoas e até de negociar uma eventual troca de presos com os Estados Unidos, usando a boa interlocução que tem com os dois países", observou.

Na entrevista, Lula pediu respeito às decisões da Justiça cubana sobre a prisão de opositores do regime comunista da ilha. "Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas", afirmou o presidente. "Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação", comparou.

"Ele atuou contra os interesses do Brasil e a favor da ditadura cubana", criticou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), ex-guerrilheiro de esquerda expulso do País nos anos de chumbo. Gabeira reconhece o direito de Lula de ser contra greves de fome, mas não entende sua "miopia" em relação à situação política de Cuba. "Ele confunde prisioneiro de consciência com bandido, luta pacífica pela democracia com assalto à mão armada", afirmou.




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