Dez índios são feridos a tiros na Raposa Serra do Sol
Reserva indígena está sob disputa com arrozeiros; PF está no local para tirar não índios, mas aguarda STF
Dez índios foram feridos a tiros nesta segunda-feira, 5, por volta das 10 horas, quando construíam casas na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Um deles, atingido por tiros na cabeça, está em estado grave. Os disparos teriam sido feitos por seguranças ligados a um dos arrozeiros que ocupam a área. As informações são do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Veja também: Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região Procuradoria rejeita ação popular contra reserva em RR Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol 'Roraima é do Brasil graças aos índios', diz especialista Os agressores teriam chegado em motos e caminhonetes ao local. Eles dispararam tentando impedir que o grupo construísse suas malocas. Os indígenas foram levados para Boa Vista. A terra indígena, homologada em 2005, é formada por uma área contínua de 1,7 milhão de hectares, na fronteira do Brasil com a Venezuela. Em março homens da Polícia Federal desembarcaram no local para fazer a retirada de não-índios, pequenos proprietários rurais, alguns comerciantes e um grupo de produtores de arroz. Houve resistência, confrontos e o caso foi parar no Supremo Tribunal Federal(STF), que mandou suspender a operação de desocupação. O relato da entidade é de que os índios trabalhavam na construção de barracos quando foram surpreendidos pelos supostos autores do ataque. "As comunidades indígenas da TI Raposa Serra do Sol estavam construindo suas casas em sua terra, quando uma caminhonete e cinco motoqueiros, vindo da Fazenda Deposito, de ocupação do arrozeiro Paulo César, chegaram logo atirando por todos os lados no sentido de impedir que os indígenas construíssem suas malocas. Um dos pistoleiros foi identificado como Roberto. Logo que efetuaram suas armas de fogo fugiram", descreve a nota. Segundo o coordenador geral do CIR, o makuxi Dionito José de Souza, os fatos demonstram a impossibilidade da permanência de produtores de arroz na reserva. "Só vai gerar conflitos e mortes os não-índios ficarem lá", disse à Agência Brasil, após ressaltar o descontentamento das comunidades indígenas com o que ele chama de agressão. Desde o dia 11 de abril, a Polícia Federal (PF) efetua um trabalho de monitoramento e garantia da segurança pública dentro da terra indígena, após a decisão do STF que suspendeu a Operação Upatakon 3, que visava a retirada dos não-índios do local. "Há duas versões: uma de que os índios teriam entrado na propriedade rural e sido expulsos a bala e outra de que ocorreu uma tocaia. Estamos buscando informações para saber qual é a verdadeira", ressaltou Segóvia. O delegado também disse que a necessidade de um eventual reforço do efetivo policial ainda será avaliada. Texto atualizado às 18 horas (Com Agência Brasil)
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