Dilma assina na Argentina acordos de cooperação de energia

A presidente Dilma Rousseff assinou nesta segunda-feira acordos de cooperação na área energética com sua colega argentina Cristina Kirchner durante a primeira visita oficial ao exterior desde a posse.

JULIANA CASTILLA, REUTERS

31 Janeiro 2011 | 19h28

Brasil e Argentina estão num momento de expansão econômica e seus governos se empenham em garantir que o suprimento de energia possa acompanhar a crescente demanda de indústrias e residências, sustentando o crescimento a longo prazo.

Dilma e Cristina se comprometeram a acelerar a construção de duas usinas hidrelétricas numa parte do rio Uruguai na fronteira entre os dois países. As usinas de Garabi e Panambi terão 2.200 megawatts de capacidade e investimento de cerca de 5,2 bilhões de dólares.

As duas presidentes também acertaram a construção de dois reatores nucleares com a finalidade de pesquisa e troca de conhecimento sobre biocombustíveis e a construção de uma ponte na fronteira, entre outros acordos.

O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de etanol e a Argentina é um grande exportador de biocombustível produzido a partir de óleo de soja.

"Tenho certeza de que os acordos que assinamos serão frutíferos", disse Dilma em discurso no palácio presidencial, prometendo impulsionar o comércio bilateral e o Mercosul.

"Vamos continuar a trabalhar para fortalecer o Mercosul e consolidar a união aduaneira... e vamos continuar lutando contra o protecionismo dos países ricos e as políticas que distorcem o comércio internacional, incluindo taxas de câmbio", disse Dilma.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina. A previsão é que a economia argentina tenha crescido 9 por cento no ano passado graças, em parte, à expansão das exportações de veículos para o mercado brasileiro.

Cerca de 85 por cento das exportações argentinas de automóveis vão para o Brasil, que vende principalmente bens de capital para a Argentina.

A forte valorização do real está dando uma margem competitiva para o setor exportador argentino, mas os líderes empresariais do país temem que qualquer depreciação da moeda brasileira possa erodir sua competitividade.

HIDRELÉTRICAS

A potência instalada da nova represa de Garabi será de 1.152 megawatts, enquanto a de Panambi chegará a 1.048 megawatts.

Os primeiros estudos realizados para a construção das represas foram feitos em março de 1972, mas o projeto original foi modificado, o que atrasou as obras.

Em princípio, seria construída uma única represa mas, segundo as autoridades, o novo plano implica um impacto ambiental significativamente menor que o plano original.

Ainda será necessário requerer a aprovação do impacto ambiental e criar uma empresa binacional para gerenciar o projeto.

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