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Dilma diz repudiar 'banimento social' de José Dirceu

30 de agosto de 2010 | 20h 04
ANNE WARTH - Agência Estado

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, desautorizou hoje qualquer discussão a respeito de nomes que poderão compor seu ministério, caso seja eleita em outubro. Em entrevista coletiva realizada à tarde em um hotel de São Paulo, ela foi questionada especificamente sobre qual seria a participação do ex-ministro José Dirceu em seu governo, caso seja eleita. Dirceu, que foi ministro da Casa Civil, teve o mandato de deputado federal cassado em 2005 em razão do envolvimento no escândalo do mensalão.

"Ele não está participando diretamente hoje de atividade do governo e então não acho provável (que participe de um próximo governo petista)", afirmou Dilma. Ela fez questão de dizer, no entanto, que a declaração não significava qualquer tipo de condenação a Dirceu. "Acho que é uma espécie de banimento social da pessoa. Não concordo com isso porque não está prevista na legislação brasileira a pena de banimento. Repudio integralmente isso."

Dilma voltou a dizer que não está em negociação a ocupação de ministérios por nomes nem por partidos da base aliada. "Não coloco o carro na frente dos bois", afirmou, com a voz rouca e uma medalha no pulso com a imagem de um "olho grego", amuleto que ajudaria a afastar a inveja. "Não acho pertinente nem correto discutir posição (de nomes para cargos de governo), José Dirceu ou qualquer outra pessoa."

No meio de suas respostas, sua assessora de imprensa, Helena Chagas, interrompeu Dilma com a entrega de um bilhete com notícias que teriam saído na internet e poderiam interessar à candidata. Dilma leu o bilhete e respondeu rispidamente. "Ah, pelo amor de Deus, Helena, depois você me conta", disse, para depois perceber o ato, sorrir para jornalistas e explicar a situação.

Dilma disse ainda "discordar radicalmente" de todas as reportagens publicadas nas últimas semanas que especulam sobre a presença de Dirceu e outros políticos, como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, em cargos de um eventual novo governo petista. "Isso é factóide", definiu. "Não acho correto que isso seja feito sem consultar a mim ou a coordenação da minha campanha - colocar ou estampar na primeira página de jornais qual é a composição do meu governo. Acho que vocês podem fazer isso, têm todo direito e devem, mas tem de ser claro que é especulação."

Lula


  


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