Dilma rejeita iniciativas favoráveis à descriminalização da maconha

Pré-candidata petista fez uma critica velada a FHC, que defende mudanças na legislação

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

23 Abril 2010 | 13h08

BELO HORIZONTE - A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, condenou nesta sexta-feira, 23, iniciativas no Brasil favoráveis à descriminalização de substâncias entorpecentes, numa crítica velada ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, defensor de que a posse de maconha para uso pessoal não seja considerada crime.

 

 

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Em entrevista à Rádio JM Difusora, de Uberaba (MG), a ex-ministra da Casa Civil provocou também os tucanos ao afirmar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "melhorou muito" a distribuição da renda no País, "porque subir na vida era uma coisa que tinha acabado no Brasil".

 

Dilma reiterou que estabeleceu três prioridades na área social: saúde, segurança pública e educação, sendo que o investimento na área educacional é fundamental para ampliar a distribuição de renda.

 

"A renda no Brasil é distribuída muito desigualmente. Nós melhoramos muito isso. Tiramos 24 milhões de pessoas da miséria, elevamos 30 milhões para a classe C. Porque subir na vida era uma coisa que tinha acabado no Brasil", disse. "Veja que coisa interessante: o Brasil há muito tempo na sua pirâmide social não deixava as pessoas subirem na vida".

 

Questionada sobre a má qualidade do serviço do Sistema Único de Saúde (SUS), Dilma lamentou a "perda enorme" de recursos que a área sofreu com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). E admitiu que a rede da saúde "precisa ser reforçada cada dia mais". "Acho que o Brasil vai crescer e nós vamos ter mais recursos para investir em saúde", comentou.

 

Praga

 

Ao responder sobre as propostas para o combate a uma verdadeira "epidemia" de crack no Brasil, ela disse que a droga é como uma "praga", que "penetrou em pequenas cidades, no interior do País, nas zonas de periferia e atingiu um conjunto imenso da população".

 

Para a petista, as autoridades não podem ser seduzidas por ideias de descriminalização das drogas. "Acho que a gente não pode ser seduzido pelas políticas de descriminalização da droga quando no Brasil a gente vê um caso tão grave como esse, que é o crack. Eu darei extrema prioridade a combatê-lo", afirmou.

 

Conforme Dilma, o problema deve ser enfrentado com o tripé "autoridade, carinho e apoio". "Apoio para impedir que mais jovens caiam nessa armadilha fatal, carinho para cuidar dos que precisam se libertar do vício e autoridade para combater e derrotar os traficantes".

 

Segundo ela, para o sucesso de uma política anticrack, é crucial uma campanha que envolva as mães, pois o usuário, para manter o consumo, é geralmente levado a vender a droga.

 

Na entrevista, concedida por telefone, a pré-candidata do PT disse que se comprometia com a duplicação da BR-262, entre Nova Serrana, na região centro-oeste do Estado, até Uberaba. A obra, segundo ela, está prevista no PAC 2. "Já está previsto. Inclusive, é um compromisso meu".

 

Mineiridade

 

Mais uma vez, Dilma aproveitou para ressaltar suas raízes mineiras, de olho nos votos do segundo maior colégio eleitoral do País. A petista cumprimentou os "conterrâneos de Uberaba" e lembrou que a mãe - que também se chama Dilma - nasceu na cidade do Triângulo. Segundo ela, as histórias sobre Uberaba que quando criança ouvia da mãe fazem parte de sua identificação com a terra natal. "É um pouco da mineiridade que eu trago dentro de mim".

 

No próximo dia 02, o pré-candidato do PSDB, José Serra, deverá visitar Uberaba para participar da feira ExpoZebu 2010.

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