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Dilma segue script de Lula e enaltece marcas sociais dos governos petistas

Presidente teve reunião na sexta-feira com o antecessor em um hotel de São Paulo e ambos discutiram estratégias políticas para 2014

25 de janeiro de 2013 | 23h 00
Bruno Boghossian, Fernando Gallo e Julia Duailibi - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Horas depois de participar de uma reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na capital paulista, a presidente Dilma Rousseff fez na sexta-feira, 25, uma defesa enfática de sua gestão e dos programas sociais lançados pelo antecessor e mantidos por ela, além de enaltecer a política econômica do País, alvo de críticas da oposição e de setores produtivos.

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A petista se encontrou com o ex-presidente por cerca de quatro horas no hotel Renaissance, na região dos Jardins, em São Paulo. A reunião ocorreu em uma suíte no 25.º andar do hotel, por onde também passaram os ministros Guido Mantega (Fazenda) e José Eduardo Martins Cardozo (Justiça).

Dilma e Lula discutiram a agenda para 2013 e debateram a conjuntura econômica, num momento em que o petista tem demonstrado preocupação com a gestão da aliada na Presidência da República. Acha que falta mobilidade e mais comunicação com setores da sociedade, principalmente num ano pré-eleitoral.

Na sexta, durante o lançamento de cinco programas do governo federal em São Paulo, a presidente seguiu orientações políticas do antecessor de destacar realizações sociais dos governos petistas e desafiar setores da oposição, que também criticam o imobilismo da atual gestão.

Seguindo o script de Lula, Dilma enalteceu em seu discurso de ontem as marcas dos governos petistas nas áreas de saúde, educação e habitação - em especial o Minha Casa, Minha Vida.

"Hoje, o Brasil tem um dos maiores programas de moradia popular do mundo. Por que isso? Porque nós optamos", disse Dilma. "Teve uma época que falar em moradia popular era muito mal visto, era considerado um absurdo. Quero dizer o contrário: gente com responsabilidade tem que ver que sua população não pode morar em favelas."

Sucessão em SP. Também alertada por Lula, Dilma começa a abrir espaço para os ministros petistas que almejam disputar o governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (Educação) e Alexandre Padilha (Saúde). Disse ter "orgulho" do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), tocado por Padilha, e chamou de "fundamentais" as escolas técnicas e universidades federais, a cargo de Mercadante.

Nas últimas semanas, Lula manifestou a interlocutores a sua preocupação com a administração de sua sucessora. Para ele, o governo está isolado, e a gestão, centralizada. O ex-presidente recebeu reclamações de empresários e de políticos que não conseguem ter acesso à presidente. O petista avalia que o terceiro ano do mandato é determinante para fazer a gestão decolar, pavimentando, assim, o caminho para a reeleição da presidente.

Os dois já haviam tido uma primeira conversa em dezembro, durante uma viagem a Paris, quando o petista colocou para a Dilma o seu diagnóstico. No encontro, falou do isolamento do governo e da necessidade de a presidente conversar mais com representantes da sociedade, entre os quais o empresariado.

Dilma começou a acatar as orientações do petista e, já no começo deste mês, intensificou os contatos com executivos de empresas nacionais e multinacionais. Também pretende abrir espaço na agenda para políticos.

As críticas nos bastidores feitas por Lula e a própria movimentação política nos últimos dias, que se intensificou em relação ao ano passado, passaram a ser interpretadas como uma Eventual volta dele ao cenário eleitoral como candidato em 2014.O ex-presidente negou a pretensão de concorrer.

O encontro entre os dois ontem em São Paulo, com foto divulgada pela equipe do Instituto Lula, teve com objetivo mostrar ainda que aliança entre os dois está sólida. A reunião serviu para mostrar a unidade da dupla.

Economia. Também no hotel Lula se encontrou com Mantega para se informar sobre a situação econômica do País - o PIB de 2012 deve crescer em torno de 1%. Para o petista, se a Economia não deslanchar, a reeleição de Dilma será colocada em xeque.






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