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Dilma tenta isolar centrais e negociar direto com grevistas

Objetivo do governo é tirar poder de decisão de entidades como a CUT nas negociações setoriais que começam na semana que vem

10 de agosto de 2012 | 22h 23
João Domingos, de O Estado de S. Paulo

Pressionada pela série de paralisações pelo País, a presidente Dilma Rousseff pretende isolar a CUT e outras centrais que comandam as greves em 30 setores do governo federal com as negociações em separado com os servidores. A estratégia é neutralizar o poder de mobilização das entidades.

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Dilma discursa em evento em Belo Horizonte onde houve manifestações - Marcos de Paula_AE
Marcos de Paula_AE
Dilma discursa em evento em Belo Horizonte onde houve manifestações

Dentro do governo, as informações de bastidores são de que a presidente está muito irritada com a CUT, braço sindical do PT, por entender que, de todas as entidades representativas de trabalhadores, deveria ser a primeira a compreender o momento de crise econômica mundial e a queda na arrecadação de impostos.

A CUT, porém, "fugiu do controle", na avaliação de integrantes do governo. A central sindical é ligada à Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), um dos principais pilares da greve. A entidade tem entre seus associados os sindicatos de servidores federais e os que controlam as grandes agências reguladoras.

No caso dos professores e servidores universitários, os primeiros a entrar em greve, ainda em maio, a central que comanda a mobilização é a Conlutas, controlada pelo PSTU e pelo PSOL, partidos de oposição a Dilma.

Esperado. Segundo auxiliares da presidente, desde o ano passado era sabido que esse seria um ano difícil. Tanto é que o governo agiu intensamente dentro do Congresso a fim de desarmar projetos que dão aumento para servidores do Judiciário, do Ministério Público e para dezenas de categorias da chamada carreira de Estado - justamente as mais mobilizadas, como os integrantes de agências reguladoras, auditores fiscais, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.

A intenção era anunciar algum porcentual de aumento em junho, o que poderia desarmar as mobilizações dos servidores. Acontece que as respostas esperadas pelo setor econômico não apareceram, segundo o governo. Com isso, o anúncio que deveria ser feito em junho foi adiado para julho e depois para agosto.

Segundo a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, as reuniões com as 30 categorias em greve vão começar na semana que vem. As propostas serão feitas setor por setor. Ela disse que nem todos serão atendidos.

O problema, de acordo com auxiliares do Planalto, é o tempo. A Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelece que só pode haver aumento de salário no ano seguinte se os projetos forem apresentados até o dia 31 deste mês. O que for enviado ao Congresso depois disso só valerá para 2014.

Razão da radicalização. Como resultado, o mês de agosto foi transformado numa espécie de data-base única, levando categorias organizadas a radicalizar nas suas reivindicações, pois sabem que, se não conseguirem nada agora, poderão dar adeus a qualquer esperança de reajuste em 2013. A situação incentivou a criação de uma entidade paralela, a União das Entidades Representativas das Carreiras de Estado, que representa advogados da União, auditores e delegados da Polícia Federal.

Com medo de ficar isolada, a CUT radicalizou o discurso para não ser considerada excessivamente governista. Foi então que a central sindical, que manteve estreito contato com o governo Luiz Inácio Lula da Silva e deu pouco trabalho a ele, decidiu se contrapor ao governo Dilma.

Na atual gestão, a central ligada ao petismo ensaiou alguns movimentos mais sectários, chegando a denunciar o governo à Organização Internacional do Trabalho (OIT) por ter feito em julho o Decreto 7.777, que permitiu à União requisitar servidores dos Estados em casos de greve em agências fundamentais para a liberação de mercadorias, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Departamento de Controle Sanitário do Ministério da Agricultura.






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