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Dilma tenta reconciliação com MST após concessões ao agronegócio

Presidente recebe líderes do grupo no dia seguinte ao tumulto que deixou mais de 30 feridos na Praça dos Três Poderes e promete acelerar desapropriações neste ano eleitoral

13 de fevereiro de 2014 | 22h 41
Lisandra Paraguassu e Erich Decat - O Estado de S. Paulo

Brasília - No dia seguinte ao tumulto causado pelo Movimento dos Sem Terra na Praça dos Três Poderes, que deixou mais de 30 feridos, a presidente Dilma Rousseff recebeu um grupo de representantes da organização no Palácio do Planalto.

Na reunião, Dilma recebeu produtor orgânicos dos militantes  - André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão
Na reunião, Dilma recebeu produtor orgânicos dos militantes

Ao fim do encontro, o primeiro no qual ouviu o MST falar diretamente de suas reivindicações e listar reclamações, ela prometeu criar um grupo interministerial para analisar ações emergenciais relacionadas à reforma agrária e anunciou que pretende acelerar o ritmo de assentamentos rurais. Também deu a entender que, na troca do titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário, pretende colocar alguém mais afinado com os sem-terra.

Os gestos são uma tentativa de Dilma de se reaproximar do MST neste ano eleitoral. Nos três primeiros anos de seu governo, ela reduziu o ritmo de assentamentos, ao mesmo tempo em que executava vários movimentos para se aproximar da bancada ruralista no Congresso e dos empresários do agronegócio, a quem fez uma série de concessões.

A reunião no Planalto não estava prevista. Foi definida na quarta-feira. No momento do tumulto envolvendo os sem-terra na Esplanada dos Ministérios, o ministro Gilberto Carvalho, que já havia recebido os líderes em nome do governo, ligou para dizer que Dilma havia encontrado um espaço em sua agenda.

No encontro, Dilma ouviu com atenção os sem-terra e, em mais de um momento, deu a entender que não tinha conhecimento dos fatos levados até ela. "Pode ser que ela não esteja sendo bem assessorada nessa área", disse Débora Nunes, da coordenação nacional do MST, ao sair da reunião. "O conhecimento dela sobre reforma agrária é muito pequeno", afirmou João Pedro Stédile, um dos mais antigos e conhecidos líderes, que também esteve presente.

Mais amigável. Para agradar ao movimento, a presidente deve substituir o atual ministro Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário, por Miguel Rossetto. Ele já ocupou o cargo no primeiro mandato de Lula e é considerado pela cúpula do MST como o melhor ministro da área de toda a era petista no governo.

Atualmente à frente da Petrobrás Biocombustíveis, Rossetto também possui a vantagem de conhecer bem a presidente Dilma. Os dois trabalharam juntos nos governos de Lula e de Olívio Dutra (PT), no Rio Grande do Sul.

O atual ministro, Pepe Vargas, não conseguiu se acertar com a liderança do MST. Eles discordaram sobre quase tudo, do número de famílias acampadas no País à definição de prioridades para a pasta.

A reunião com Dilma, que desde a campanha presidencial evitou dar muito destaque à questão da reforma agrária em seus pronunciamentos, foi considerada uma conquista por parte da liderança do MST. Espera-se que, apesar de já ter chegado à reta final de seu mandato, ela ainda faça mudanças na política para o setor. "Se não alterar o processo político não vai alterar os problemas da reforma agrária no País", afirmou Stédile.

A reivindicação básica do MST é que a reforma tenha um lugar mais destacado no governo Dilma. A presidente prometeu montar um grupo interministerial para analisar a longa lista de reivindicações que recebeu e ver quais delas podem ser atendidas de forma emergencial. Ela também prometeu assentar 30 mil famílias até o fim do ano. O MST havia pedido 100 mil, que seria o total de acampados no País. / COLABOROU ROLDÃO ARRUDA




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