Discurso de Marina Silva na Convenção Nacional do PV - 10.06.2010
Companheiros, companheiras, podem se sentar. Muito obrigada. Obrigada às minhas crianças e aos idosos. Em primeiro lugar, quero agradecer a Deus por estarmos aqui, e agradecer, de antemão, a todos os que estão aqui e os que nos acompanham pela internet – são milhares, neste momento, no Brasil e em vários lugares do mundo. Cumprimento, de um modo especial, meu querido amigo, companheiro que aceitou o desafio de junto comigo estar nessa jornada rumo à Presidência da República Federativa do Brasil, Guilherme Leal. Muito obrigada, Guilherme. Essa sua falta de jeito com a política só aumenta o nosso respeito por quem és e pelo que vai fazer como político, junto comigo, lá na Presidência da República.
Quando se vê um empresário muito tinhoso, muito acostumado à linguagem da política, é porque está nela há muito, mas, talvez, de forma repetida. Quem faz política com “P” maiúsculo não treina como falar, apenas faz como gostaria de ver os políticos fazendo. Foi isso o que você fez. Obrigada, Guilherme. O Guilherme fez uma fala muito bonita dizendo que, na lógica do século 20, nós não teríamos nos encontrado. De fato ele tem razão. Mas eu queria aqui fazer uma revelação: o empresário Guilherme Leal, que achamos sempre que ele é paulista, é filho de paraenses, comedor de açaí. Então, o nosso encontro também está nas origens, também está nas raízes que alimentam esse nosso coração. Quero cumprimentar o presidente do meu partido, o nosso companheiro Luiz França Penna. Muito obrigada Penna. Vocês, do Partido Verde, que construíram esse partido, durante esses 24 anos, para que hoje pudéssemos ser recebidos, partidários e não-partidários, nesta festa que é de todos os brasileiros.
Cumprimento, de modo especial, uma pessoa que, para mim, é muito significativa, altamente significativa: meu pai, o velho Pedro Agostinho. Fique de pé, papai. Fique de pé um pouquinho, papai, Sr. Pedro Augusto da Silva. Obrigada papai, muito obrigada por você estar aqui. Quero cumprimentar esse homem, ele é responsável, na origem, por tudo o que está acontecendo. Ele deve se lembrar: no dia em que, com 16 anos, ainda com saúde frágil, não é para aumentar a pressão, tem 82 anos, com carinha de 81 – ele não vai gostar disso. Lembra papai? Pai, vou estudar porque o meu sonho é de ser freira. Você quer ir agora ou na semana que vem? Se você não tivesse essa visão, essa cabeça, esse coração, eu, hoje, não estaria ocupando este lugar. Então, você, na origem, junto com todos aqueles que me ajudaram e a força do nosso Deus, também é responsável por isso. Agradeço à minha querida família, o meu sogro, Sr. Paulo, que está aqui junto com a minha sogra, Dona Neide, que virou uma quase mãe – perdi minha mãe aos 14 anos. Daí ser tão difícil esse homem ter deixado a sua segunda filha, a mais velha já havia se casado, deixar seus seis irmãos e ir para essa abençoada aventura que nos faz estar aqui.
Agradeço ao meu marido Fábio, à minha filha Shalon, ao meu filho Danilo, à minha filha Moara, à minha filha Maiara. Vocês são a principal assistência e sustentação de tudo o que sou, de tudo que faço. Obrigada por esse amor, por esse cuidado e, podem ter certeza, por essa doação – essa é uma família que se doa para que esse “palitinho”, em plena forma, esteja se colocando neste lugar de mantenedora de utopias. Agradeço às minhas irmãs Lúcia e Dóia que estão aqui representando as outras seis irmãs, somos sete irmãs. Ao meu irmão Arleir, o único homem da família e, por isso, um sofredor no meio de mulheres tão fortes. É um sobrevivente. Agradeço aos meus sobrinhos presentes, o Eudes, o Tiago, o André, a Andréia, enfim, a todos eles. Eles vieram representar uma família que é enorme – família de nordestinos não para de crescer nunca, é pior do que preá.
Enfim, saúdo meus companheiros de partido, meus companheiros do Partido Verde. Cumprimento Alfredo Sirkis, que fez esse lindo discurso. Sirkis, muito obrigada, você até agora trouxe essa pré-campanha, como coordenador, e me disse que quando esse período chegasse você iria assumir essa tarefa no Rio de Janeiro, como coordenador e candidato a deputado federal que, se Deus quiser, será eleito. Cumprimento meu companheiro, futuro governador do Estado do Rio de Janeiro, sempre digo: meu professor Fernando Gabeira. Obrigada, Gabeira, por você ser quem é. Cumprimento um dos idealizadores persistente, do convite para que eu entrasse no PV, quase inconveniente, meu companheiro candidato ao governo de Pernambuco, Xavier. Cumprimento as mulheres do Partido Verde na pessoa de minha companheira, Micarla, que fez esse lindo discurso. Obrigada, Micarla. Você é a primeira mulher do Partido Verde de capital da América Latina e Caribe. Você não é pouca coisa. Marcos Antônio Mroz, meu companheiro Fábio Feldman que representam, junto com o Gabeira, todos os candidatos a governador.
Cumprimento aqueles que entraram no PV junto comigo, simbolicamente representados nas pessoas de Luciano Zicca, Adriana Ramos e Pedro Ivo. Agradeço e cumprimento as pessoas que pertencem a outros partidos, que sei temos muitos aqui. Cumprimento o coordenador desta campanha a partir de agora, meu companheiro do Ministério do Meio Ambiente que, com trajetórias igualmente diferentes, mas com o mesmo DNA do socioambientalismo. Ele me ajudou no Ministério do Meio Ambiente: João Paulo Capobianco. Obrigada, Capô. Cumprimento todas as mulheres na pessoa de minha recém-amiga, essa descoberta maravilhosa que cuida do programa de educação, Neca Setúbal, Agradeço a você, Neca, por tudo isso. Ricardo Young agradeço a você juntamente com o Álvaro, um grupo de empresários que assumiram a sustentabilidade como parte do seu envolvimento de vida empresarial com responsabilidade ambiental, social, colocando a ética como parte do seu fazer empresarial. Cumprimento meus companheiros da sociedade civil, associações, sindicatos, associações não-governamentais. Cumprimento também aqueles que representam o mundo acadêmico; os gestores públicos na pessoa do Eduardo Jorge. Agradeço a presença de todos os trabalhadores e trabalhadoras, profissionais liberais, à juventude tão bem representada aqui pelo idealizador do Movimento Marina Silva, Eduardo Rombauer. Obrigada, Dudu. Você, como todo jovem, tem a ousadia de antecipar o futuro. Agradeço aos intelectuais na pessoa do Dr. Paulo Sandroni, Eduardo Viola, José Eli da Veiga, Beto Ricardo e tantos outros que não tenho como mencionar.
Agradeço e cumprimento todas as crianças que me homenagearam – inclusive aquele jovem, que sentou na cadeira do vice-presidente, já colocando a que ele veio, na pessoa do Daniel, filho do Carlos Vicente, do Ives e da Iara. Quero cumprimentar todas as crianças. Uma saudação especial às pessoas que não estão presentes, mas que, igualmente, são importantes na minha vida: o bispo Dom Moacir Grecchi, alguém que foi responsável não só por muito do que aprendi na política, mas pela minha própria sobrevivência quando me ajudou a salvar a vida. Quero agradecer meus pastores, o pastor Sóstenes Apolo e a Pastora Valnice, a pastora Eliana, na pessoa deles, os que me dão sustentação, apoio espiritual e que me ensinaram que neste País laico a grande bênção é sermos um Estado laico para que possamos respeitar todos os que têm crença, todos os que têm crença diferente e todos aqueles que não têm. Isto é, de fato, uma grande conquista da nossa democracia. Por último, saúdo os 190 milhões de brasileiras e brasileiros, de todos os lugares, de todas as cores, de todas as raças, de todas as formas e de todas as graças deste Brasil diverso que temos, e que nos dá orgulho de sermos brasileiros.
Meus irmãos e irmãs estamos aqui para um desafio, um desafio que deve, em primeiro lugar, colocar quais são as referências que me trazem e que nos fazem chegar até aqui. Não quero, Gabeira, Sirkis, Guilherme, meus companheiros e companheiras, fazer um discurso em que vocês não estejam incluídos, os que estão aqui, os que estão nos assistindo e os que ainda vão nos assistir. Baseio-me em alguns referenciais. O primeiro deles – aprendi com o Bispo Dom Mauro Morelli – lutar pelos que não são, pelos que não sabem, pelos que não podem, pelos que não têm, para que um dia saibam, possam e tenham. Outro referencial, penso no da juventude. Sempre digo que os jovens não se envolvem em projeto de poder pelo poder, Shalon, você que é a minha filha mais velha. Os jovens, as crianças se envolvem onde há o cheiro da mudança, da transformação; que é a transformação responsável baseada em engenharia, processos e estruturas concretas, mas não abrem mão de sonhar para ver mudar o futuro que a gente quer cada vez melhor para nossos filhos e netos. Eu quero agradecer a essa juventude que me trouxe até aqui, como sendo os primeiros a terem sonhado com essa idéia, Guilherme, de termos, hoje, uma candidatura. Este projeto está em cima de alguns pontos – não posso deixar de fazer, como professora de ensino médio, sempre como faço, primeiro, uma contextualização.
Por isso, vou partir do Brasil que hoje temos, um Brasil que não precisa olvidar suas conquistas, mas também não precisa fazer uma apologia cega delas, esquecendo que ainda temos muitos desafios e de que ainda temos muitos erros a serem corrigidos. Temos que reconhecer que o Brasil dos últimos anos foi capaz de grandes conquistas, a começar pela conquista da democracia, vinte anos de democracia reconquistada e estabilizada na realidade do Brasil, dezesseis anos em que este País tem lutado por estabilidade econômica e conseguiu fazer com que tivéssemos uma situação em que há controle de inflação, em que a crise que atravessamos, ainda que tenha nos afetado, não nos abalou. E estamos de pé, crescendo cerca de 9% em relação ao ano passado, e com uma perspectiva boa de crescimento, ainda que ele precise ser ressignificado para que não continuemos no mesmo diapasão do desenvolvimento pelo desenvolvimento, do crescimento pelo crescimento.
Essa é uma conquista que não podemos esquecer. Temos que lembrar que temos uma sociedade civil que foi capaz de se tornar rigorosa, capaz de cobrar, capaz de apresentar propostas, de ajudar a implementá-las e de corrigi-las quando não estão no rumo certo.
Essa sociedade civil, eu diria, cresceu juntamente com os formadores de opinião e foi capaz de construir algo nesses últimos 30 anos que irá surpreender a si mesma e surpreender o Brasil, surpreenderá, principalmente, aqueles que ficaram com a velha política, com uma única forma de tentar dar resposta para a vida das pessoas e para o Brasil.
Temos ainda outra conquista: a redução da pobreza. Vinte e cinco milhões de pessoas saíram da linha da pobreza nesses últimos oito anos. Isso não é muita coisa, não é pouca coisa. Não preciso, em hipótese alguma, porque sou candidata, agora, por outro partido, numa outra articulação, negar esse feito e essa grande conquista do operário Luiz Inácio Lula da Silva, que quebrou o paradigma. Antigamente se dizia: é preciso crescer para depois distribuir o bolo. O Lula mostrou que foi distribuindo que continuamos e que crescemos. Então, essa conquista não pode ser olvidada.
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