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Dois anos de mordaça

Desde 31 de julho de 2009 o Estado está impedido, por decisão judicial, de publicar reportagens que envolvam Fernando Sarney, filho do presidente do Senado

30 de julho de 2011 | 16h 00
O Estado de S.Paulo

Num País onde a liberdade de imprensa está garantida na Constituição, o Estado completa neste domingo, 31, dois anos submetido à censura judicial. A medida atende a pedido do empresário Fernando Sarney - filho do presidente do Senado, José Sarney -, alvo central da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga irregularidades, tráfico de influência e corrupção em ministérios e estatais. A decisão judicial contra o Estado partiu do juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Dácio Vieira, para quem o direito à privacidade prevaleceu sobre a liberdade de expressão - visão que não é compactuada por muitos no próprio Judiciário.

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Este caderno relata a cruzada do jornal nesses 730 dias para recorrer da decisão e reflete ainda o debate - no Judiciário e na mídia - sobre a liberdade de imprensa. Uma das principais vitórias foi o afastamento do juiz - amigo da família Sarney - do caso, por suspeição. No caminho, o Estado rejeitou a desistência da ação, pelo empresário, preferindo aguardar, dos tribunais superiores - Supremo e STJ -, uma sentença definitiva que reponha a liberdade de informar, um pilar da democracia.




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