Durante visita de Peres, embaixador iraniano critica Israel
Para Shaterzadeh, reação de Jerusalém à visita de Ahmadinejad ao Brasil é 'uma típica atitude sionistas'
No dia em que o presidente de Israel, Shimon Peres, iniciou sua passagem de dois dias pelo Brasil, o embaixador do Irã no País, Mohsen Shaterzadeh, disse que seu governo não se incomoda com a visita do chefe de Estado israelense à capital faltando poucos dias para o encontro entre os presidentes iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no Brasil.

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Em entrevista coletiva nesta terça-feira, 10, em Brasília, o embaixador criticou, porém, as reações do governo israelense ao fato de o Brasil receber Ahmadinejad. Afirmou que isso é "uma típica atitude de sionistas, e não de judeus", e qualificou Israel como "um país com um regime sionista criminoso, invasor, de medo, que não se acalma dentro de si mesmo e que está perdendo seus amigos."
Shaterzadeh observou que a visita de Ahmadinejad ao Brasil, a partir do próximo dia 23, marcará o primeiro encontro bilateral entre governantes dos dois países nos últimos 50 anos. O encontro, segundo o diplomata, é especialmente importante neste momento em que "o mundo assiste à morte do multilateralismo e o nascimento de novas potências emergentes." Questionado sobre o fato de o Congresso brasileiro não ter ainda aprovado a visita de Ahmadinejad, o embaixador evitou responder.
"Ninguém vai dizer ao Brasil com quem o Brasil deve falar. O Brasil fala com quem entende que deve falar", disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que se encontrou com o presidente de Israel também nesta terça-feira. Segundo Jobim, porém, os dois não conversaram sobre a vinda do iraniano ao Brasil.
Acordos com o Irã
O embaixador iraniano, por sua vez, confirmou que seu país está interessado em impulsionar investimentos de empresas iranianas no setor agrícola brasileiro, sendo esta uma das 15 áreas de cooperação que Ahmadinejad pretende estimular. Segundo o embaixador, a ideia é de que empresas privadas iranianas formem joint ventures com brasileiras para a produção de soja, milho e etanol. A produção não teria apenas o objetivo de suprir o mercado iraniano, mas também o de atender a demandas de outros países.
Fontes da diplomacia brasileira informaram na segunda-feira, 9, que devem ser assinados um acordo de isenção de vistos diplomáticos, um acordo de cooperação técnica, um memorando de entendimento entre a Embrapa e a empresa iraniana de pesquisa agropecuária e um programa executivo na área da cultura.
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