'É brincadeira de mau gosto’, rebate irmão de Celso Daniel
Advogado divulga cartas de Bruno, exilado na França por alegação de ameaça por insistir em investigar morte
Bruno Daniel também reagiu nesta quinta-feira às declarações do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, para quem o asilo político dele e de sua família é fruto de uma "opção pessoal". Vivendo na França desde 2006, sob alegação de que foi ameaçado por insistir em investigar a morte do irmão, Bruno disse ao Estado que montou um dossiê com evidências de perseguições, que foi apresentado ao governo francês e justificou o refúgio.
"Dizer que é opção pessoal é uma brincadeira de mau gosto", reagiu Bruno, lembrando que ele e sua família permaneceram sob proteção policial oferecida pelo governo paulista entre outubro de 2005 e fevereiro de 2006. Ele declarou ainda que Carvalho mostrou sua "face" e sua intenção de fazer ataques pessoais à família do prefeito assassinado. "Ele não discute o caso do Celso ou aquilo em que ele poderia ter contribuído. E procura nos atacar do ponto de vista pessoal."
A afirmação de Carvalho também gerou reação de amigos de Bruno e de sua esposa, Marilena Nakano. "Essa história de dizer que eles foram porque quiseram é mentira. Ninguém foi para lá para passear", disse o ex-vereador pelo PT Ricardo Alvarez, hoje no PSOL.
O advogado Hélio Bicudo liderou nesta quinta um ato na Câmara Municipal de Santo André, no qual foram divulgadas duas cartas escritas na França pelo irmão de Celso Daniel, Bruno e sua esposa.
"Depois de termos vivido os duros anos da ditadura militar, não imaginávamos que alguém seria obrigado a sair do País e se refugiar em outro, na condição de exilado. Para nossa surpresa, aqui estamos diante dessa dura realidade."
Na segunda carta, endereçada à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, o casal pede que não seja dado ganho de causa ao empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra - um dos investigados -, que contesta na Justiça a constitucionalidade do poder de investigação do Ministério Público Estadual. "A sua intenção é clara: fazer invalidar as provas coletadas por promotores públicos, que não deixam dúvida quanto à sua participação (no assassinato)", diz o documento.
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