Ellen Gracie perde vaga na OMC para candidato mexicano
Ex-presidente do STF, ministra era uma das favoritas para o órgão de apelação mas perdeu para Ricardo Ramirez
O Brasil perde mais uma eleição internacional, somando outra derrota em uma longa lista de campanhas frustradas nos organismos internacionais. Nesta segunda-feira, 25, a Organização Mundial do

Comércio (OMC) rejeitou a candidata brasileira Ellen Gracie Northfleet, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, para o posto de juíza da entidade. O eleito foi o advogado mexicano Ricardo Ramirez. A OMC informou ao Itamaraty que avaliou que Ellen Gracie não conhecia a matéria que teria de julgar: comércio. O Brasil ainda não contou com o voto americano, nem chinês.
O Itamaraty ainda foi informado por fontes nos bastidores que, para governos latino-americanos, a estratégia era a de não deixar o Brasil permanecer de forma indefinida no cargo máximo do tribunal da OMC. Um brasileiro já havia estado por oito anos no posto e, se Elle Gracie fosse eleita, significaria que o Brasil teria 16 anos no cargo.
Há duas semanas, o chanceler Celso Amorim afirmou no Senado que o Brasil tinha apenas duas campanhas no cenário internacional. A primeira era Ellen Gracie. A segunda, o Rio de Janeiro para sediar
as Olimpíadas em 2016. Agora, só ficará mesmo a campanha pelos Jogos de 2016. A declaração de Amorim ainda foi uma resposta às informações que corriam sobre sua candidatura ao cargo de diretor da Agência Internacional de Energia Atômica.
A derrota ainda vem no momento em que o governo decidiu não apoiar o brasileiro Márcio Barbosa para o posto máximo na Unesco. Em seu lugar, vai apoiar o egípcio Farouk Hosni, criticado por
intelectuais de todo o mundo.
Na OMC, a candidatura era para um dos dois lugares que se abria para juiz máximo da entidade. O cargo tem como função julgar alguns dos casos mais polêmicos do comércio internacional, principalmente em um momento de recessão e de uma ameaça de proliferação de medidas protecionistas. Elle Gracie, se eleita, seria um dos sete juízes do Órgão de Apelação da OMC, instância máxima do comércio. O tribunal é um dos poucos ainda aceitos pelas maiores potências mundiais, como Estados Unidos, Europa, China e Japão.
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