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Em ato raro, diplomatas questionam Itamaraty sobre morte de colega

Amigos de Milena de Medeiros, vítima de malária contraída em viagem oficial, pedem melhorias no acompanhamento a funcionários em áreas de risco.

30 de dezembro de 2011 | 5h 51

Um grupo de diplomatas brasileiros entregou nesta semana ao Ministério das Relações Exteriores uma carta que pede melhorias na orientação e acompanhamento dado a diplomatas que viajam para locais de risco.

Em uma iniciativa raramente vista na chancelaria, o documento foi entregue após a morte da diplomata acreana Milena Oliveira de Medeiros, de 35 anos. Ela foi vítima de um quadro agudo de malária, que contraiu durante uma viagem a serviço do governo para Malabo, na Guiné Equatorial.

A carta, assinada por "colegas e amigos de Milena de Medeiros", diz que ela "não recebeu nenhuma instrução institucional específica sobre as doenças que poderia contrair, não lhe foram indicadas formas de prevenção ou cuidados a serem observados durante e depois da viagem" no país africano antes de deixar Brasília, em 20 de novembro.

Segundo o documento, os 21 diplomatas que viajaram a Malabo receberam repelentes e advertências sobre a possibilidade de contrair malária por iniciativa independente da embaixada brasileira no local.

Entre eles, somente Milena apresentou sintomas da doença.

Endereçada ao Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, a carta foi assinada por 84 diplomatas da turma de Medeiros que ingressou no Instituto em 2009, e foi entregue no gabinete ministerial. O documento deve ser encaminhado novamente ao chanceler, assim que ele retornar ao Brasil, no início do ano.

O Itamaraty confirmou à BBC Brasil o recebimento da carta e disse "estar analisando o documento com muito cuidado e atenção, em um momento de muita dor e tristeza para todo o Ministério". Uma resposta formal aos pedidos e sugestões feitos no documento será dada, segundo o órgão, apenas no início de 2012.

Agravantes

A carta afirma que a situação da diplomata foi agravada pelo fato de que ela não recebeu do Ministério "orientação adequada quanto aos sintomas da doença e quanto a profissionais e instituições aptas a prestar atendimento especializado em Brasília".

Além disso, segundo o documento, houve demora na realização do exame de malária e na obtenção do medicamento para o tratamento da doença.

De acordo com amigos e familiares, a diplomata apresentou os primeiros sintomas, febre e dor de garganta, no dia 30 de novembro, três dias depois de voltar ao Brasil.

Ela se submeteu à primeira consulta médica no dia 5 de dezembro e fez um exame de malária, cujo resultado só sairia em 15 dias.




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