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Em carta, cooperados da Bancoop pedem que Berzoini revele o que sabe

Reportagem da revista 'Veja' afirma que fundador da cooperativa ameaçou tornar público detalhes sobre o caso

26 de abril de 2011 | 21h 03
Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Catorze associações de cooperados da Bancoop enviaram nesta terça-feira, 26, carta ao deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) pedindo a ele que revele tudo o que sabe sobre a Cooperativa Habitacional dos Bancários. As associações que subscrevem o documento representam milhares de cooperados que alegam ter sido lesados por má gestão da Bancoop, fundada por um núcleo do PT nos anos 90.

A Bancoop está sob suspeita do Ministério Público Estadual. Em denúncia formal à Justiça, a promotoria atribui a ex-dirigentes da entidade desvios e fraudes. A Bancoop nega categoricamente irregularidades com dinheiro dos cooperados.

A base da carta dos cooperados a Berzoini é uma informação publicada pela revista Veja, em sua última edição. Na reportagem intitulada "Tensão entre petistas", Veja informa que Berzoini está perdendo poder e ameaçou, conforme relato de um petista com assento no Palácio do Planalto, tornar público detalhes constrangedores para o partido, citando especificamente o caso Bancoop. Berzoini é fundador da Bancoop.

Na carta ao petista, os cooperados se intitulam "vítimas da Bancoop" porque até hoje não receberam seus apartamentos. "Solicitamos que, em caso de realmente existir algo a ser dito, que Vossa Senhoria o faça em nome das pessoas que não possuem unidades (apartamentos), e das que estão sofrendo com penhoras das unidades, já que a Bancoop se nega a dar a quitação e fez uma cobrança em 2006 reconhecida pelo Judiciário como inexigível", diz o texto.

O deputado não retornou contato da reportagem do Estado. Em seu site, porém, ele afirma que a história não é verdadeira.

Mesmo assim, os cooperados decidiram, em reunião na noite de segunda-feira, 25, enviar a carta ao parlamentar. "Seria importante, neste momento, se realmente tiver algo a ser dito e revelado, sobre a vida da Bancoop, que o faça ao menos ao Ministério Publico de São Paulo, já que este órgão esta analisando o caso gravíssimo da cooperativa, que opera hoje com milhões em dividas contraídas em nome da entidade e das pessoas, sem mesmo sequer estas vitimas saberem o paradeiro do dinheiro captado de empréstimos pela diretoria", apontam.

Os cooperados sustentam que a direção da Bancoop "sequer deixa seus associados participarem de assembleias como se extrai das atas notariais, feitas para provar o impedimento de vítimas a adentrar nos recintos de assembleias, comprovando que a Bancoop pratica o falso cooperativismo".

"Portanto, em nome da sociedade, se tiver algo a ser revelado, que direcione ao Ministério Público de São Paulo, em forma de carta, para que seus integrantes possam analisar e decidir sobre o futuro da entidade."

Os cooperados citam a existência de "mais de mil decisões judiciais contra atos administrativos lesivos". Eles pedem a Berzoini que "se sensibilize com as pessoas indefesas, que hoje sofrem com a má gestão da entidade". Por fim, transcrevem uma sentença, do juiz Carlos Henrique Abrão.

"Fórum Central Cível João Mendes Júnior - Processo nº: 583.00.2007.144181-4

"Ademais, não podem os cooperados ser penalizados pela má gestão, eventual desvio de recursos e imposição acéfala que marcou durante longos anos a administração da cooperativa. A ação é procedente, estando fartamente documentada e alicerçada na culpa da requerida (Bancoop) a qual não apenas deixou de fazer o empreendimento, mas de forma inadmissível, fez migrar os recursos indevidamente, frontalmente à legislação e a seu próprio estatuto. No caso concreto, a Bancoop passou por cima de regras elementares do sistema cooperativo, não informou com transparência os cooperados e deixou de lado o interesse coletivo, incrédula ainda a sua proposta de querer desapossar o mutuário do valor e não devolver o numerário, o mínimo que se esperaria dentro dos princípios da ética e da honestidade. Enfim, a péssima administração chega às raias do descalabro e revela o descaso em relação à destinação do numerário dos cooperados."




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