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Em discurso, Henrique Alves prega independência do Legislativo

Novo presidente da Câmara afirma que parlamentares são 'abençoados' pelo voto popular

04 de fevereiro de 2013 | 14h 58
DENISE MADUEÑO - Agência Estado

O novo presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez um discurso de independência do Poder Legislativo no discurso de posse nesta segunda-feira, 4. Ele afirmou que não faltará respeito aos demais Poderes, mas que o Poder que "representa o povo brasileiro na sua mais sincera legitimidade é essa Casa aqui".

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Henrique Alves atribuiu ao 'fogo amigo' denúncias que surgiram contra ele - Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE
Henrique Alves atribuiu ao 'fogo amigo' denúncias que surgiram contra ele

"Não faltará a um ou a outro - o Poder Executivo e o Poder Legislativo - o nosso respeito. Mas não se esqueçam de que aqui só tem parlamentar abençoado pelo voto popular", disse. Líder da bancada do PMDB por seis mandatos, ele citou a lealdade ao seu partido e falou de sua história. Ele lembrou que está na Casa há 42 anos e que conhece a Câmara profundamente.

Alves falou ainda de sua trajetória política, afirmando que sua família era a mais cassada pela ditadura militar. "Eu sei o que tive de passar para estar aqui. Eu sei o medo que tive de superar para chegar aqui", disse emocionado.

O deputado potiguar, que tem 11 mandatos consecutivos e 42 anos de Câmara, dividirá com o colega de partido Renan Calheiros (AL), eleito na sexta-feira presidente do Senado, o comando da pauta de votações do Congresso pelos próximos dois anos. Os peemedebistas à frente das duas Casas reforçam a posição do PMDB para a sucessão presidencial de Dilma Rousseff - o partido já tem a vice-presidência, com o presidente de honra do partido, Michel Temer.

Em seu discurso, Alves atribuiu ao "fogo amigo" as denúncias que surgiram contra ele. Nesta segunda-feira, os deputados encontraram em seus gabinetes uma publicação com cópias de reportagens de supostas irregularidades cometidas por Alves no exercício do mandato e até as suspeitas de enriquecimento ilícito. Ele classificou a publicação apócrifa de "pequena", "mesquinha" e de um "comportamento sem cara, sem rosto, clandestino e subterrâneo". Disse ainda que "as labaredas" desse fogo amigo não resistem às "chuvas de verão".

O deputado afirmou que no último mês quiseram construir um novo Henrique com a publicação das reportagens. "No mês eleitoral, quiseram rediscutir o Henrique, quiseram refazer o Henrique, construir um outro Henrique", disse. Alves disse que as denúncias não chamuscam o alicerce que construiu em sua vida e defendeu a liberdade de imprensa.

O deputado do PMDB fez um discurso para o público interno, em defesa do Parlamento. Ele foi aplaudido ao prometer criar uma comissão para analisar propostas sobre o chamado orçamento impositivo para as emendas parlamentares, uma antiga reivindicação dos deputados, que contraria os interesses do governo federal. Com o orçamento impositivo, a presidente Dilma Rousseff não poderá mais segurar a liberação de dinheiro do Orçamento quando se tratar das emendas individuais parlamentares aprovadas na lei orçamentária.

Críticas. Alves foi o alvo preferencial dos outros três candidatos. Logo após o pronunciamento do peemedebista, o deputado Júlio Delgado fez um duro discurso em que rebateu todos os pontos da fala do favorito. De improviso, Júlio Delgado disse que "chegou a hora da mudança", de "vencer as práticas políticas que envergonham o Parlamento" e vencer "a politicagem na Casa Legislativa".

Intitulando-se o primeiro a se lançar contra a "candidatura única", o deputado do PSB lembrou que a ausência de disputa não permite o debate, a essência do parlamento. Júlio Delgado criticou inicialmente a proposta de Alves de aprovar o orçamento impositivo. O deputado do PSB lembrou que essa é uma ideia que já se tentou viabilizar no passado sem sucesso. A proposta que considera mais factível, ressaltou, seria a de um contingenciamento parcial do orçamento, de uma forma que não atingisse todos os recursos das emendas parlamentares.






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